<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915</id><updated>2011-07-29T00:52:26.115-07:00</updated><category term='psicanalise;Guberovich;ciumes;Freud'/><category term='fadas;bruxas;psicanalise'/><category term='amor;psicanalise;afinal;revista'/><category term='homens;mulheres;clinica hermann; claudio moreno;zero hora'/><category term='amor;psicanalise;calligaris'/><category term='Garcia Marques; memórias'/><category term='juiz;psicanalista;direito;psicanalise'/><category term='Psicanalise:pai: contardo:literatura'/><category term='acídia;depressão;tristeza'/><category term='magras; apolo; olimpo'/><category term='Iza Maria; psicanalise;amor;paixão'/><category term='razão;crença;duvida;psicanalise;Calligaris'/><category term='Saramago; cegueira; filme;'/><category term='Nadja; Breton'/><category term='mulheres;mitos;cultura;literatura'/><category term='suicídio;psicanalise;'/><category term='tímidos;Verissimo;olhares'/><category term='Machado de Assis; Guberovich; psicanalise; Revista Afinal'/><category term='suicídio;adolescencia;psicanalise'/><category term='ressentimento;psicanalise;Freud;Afinal'/><category term='ciúme;Machado de Assis;psicanalise'/><category term='Freud;Melmann;fronteiras;'/><category term='coringa;psicanalise;artificial'/><category term='psicanalise; infancia; filhos; pais'/><category term='Gorz; amor;'/><category term='casamento;psicanalise; Calligaris'/><category term='unijui;psicologia;psicanalise;psicose'/><category term='olhar;inveja;psicanalise;literatura'/><category term='Umberto Eco'/><category term='angústia; psicanalise; APPOA'/><category term='infantil; psicanalise;fantasia;brincar'/><category term='Psicanalise;APPOA;jornada;clinica'/><category term='Dom Casmurro;Tereza Guberovich; psicanalise'/><category term='olhar;Revista Afinal'/><title type='text'>CLINICA HERMANN</title><subtitle type='html'>"Toda palavra tem sempre um mais além, sustenta muitas funções, envolve muitos sentidos. Atrás do que diz um discurso, há o que ele quer dizer e, atrás do que quer dizer, há ainda um outro querer dizer, e nada será nunca esgotado." Lacan</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6013422460081192433</id><published>2010-06-27T21:29:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T14:17:16.002-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor;psicanalise;afinal;revista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/TCglYDW19cI/AAAAAAAAAO0/dQs6YQ3UatI/s1600/APENAS.jpg"&gt;&lt;img style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 271px; display: block; height: 320px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487677241099154882" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/TCglYDW19cI/AAAAAAAAAO0/dQs6YQ3UatI/s320/APENAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;CLIQUE NA PAGINA PARA LER O TEXTO&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6013422460081192433?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6013422460081192433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2010/06/blog-post_27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6013422460081192433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6013422460081192433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2010/06/blog-post_27.html' title=''/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/TCglYDW19cI/AAAAAAAAAO0/dQs6YQ3UatI/s72-c/APENAS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-4196151574006736038</id><published>2010-04-20T05:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T05:26:09.574-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homens;mulheres;clinica hermann; claudio moreno;zero hora'/><title type='text'>HOMENS E MULHERES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CLÁUDIO MORENO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;11 – Afrodite, deusa de beleza, era atraente e sensual; Atena, deusa da sabedoria, era séria e compenetrada. Não por acaso, era bem diferente a representação que delas faziam os pintores e escultores do Mundo Antigo. Enquanto Afrodite aparecia mal e mal coberta por véus – quando não totalmente despida –, Atena sempre envergava um longo manto discreto ou vestia armadura completa, com couraça, escudo e capacete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este figurino austero condizia com suas atribuições. Por ser lindíssima, deixou mais de um deus enfeitiçado com sua beleza, mas encontrou um modo de afastar definitivamente qualquer possível pretendente: como era a filha favorita de Zeus, pediu ao pai que lhe permitisse ficar virgem e solteira para sempre, a fim de se dedicar ao bem da humanidade. Os gregos a adoravam por tudo o que ela lhes deu: além do primeiro navio, da primeira casa e do primeiro arado, foi ela também que lhes trouxe o dom inestimável da oliveira e do azeite de seus frutos. Apesar de seu aspecto marcial, amava a paz e as artes domésticas, como a cerâmica, a tapeçaria e a tecelagem, e só intervinha nas guerras para assegurar a vitória da justiça. Nunca perdeu uma batalha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem, contudo, que ela repudiou uma de suas mais valiosas invenções. Certa feita, aplicando o seu engenho à música, sua arte preferida, uniu duas hastes ocas de junco, com orifícios espaçados para os dedos, e formou assim a flauta dupla, de onde extraiu melodias muito mais belas do que as conhecidas até então. Entusiasmada, foi mostrar a riqueza do novo instrumento para os outros deuses do Olimpo; todos ficaram encantados com as novas harmonias, mas Afrodite não conseguia esconder um risinho maldoso cada vez que ela se punha a tocar. Foi o suficiente para que Atena saísse dali desconfiada e fosse procurar uma fonte cristalina que lhe servisse de espelho – e ali, quando viu, horrorizada, que suas feições ficavam deformadas com o esforço de soprar, arrojou para longe a sua flauta, que mais tarde seria resgatada por um sátiro. Houve quem duvidasse da história: uma deusa tão casta, tão avessa ao matrimônio, não ia sacrificar sua invenção por causa da beleza do rosto. Ovídio, porém, poeta romano, ao narrar o episódio – não sei se por ironia –, diz que a própria deusa teria acompanhado o gesto com um sincero desabafo: “Quer saber? A arte não vale tudo isso!”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;12 – Para Johann Cohausen, médico alemão do séc. 18 que serviu de modelo para o dr. Frankenstein, famoso personagem do livro do mesmo nome, as mulheres eram mais oleosas do que os homens. Ele se baseava na recomendação de um coveiro que teve de cremar as vítimas de uma grande epidemia: “Se você colocar uma mulher para cada seis homens, eles arderão mais rápido”. Comentário de uma velha e sábia condessa: “E seis é pouco! Uma mulher tem combustível suficiente para deixar em brasa quantos homens quiser!”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-4196151574006736038?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/4196151574006736038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2010/04/homens-e-mulheres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4196151574006736038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4196151574006736038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2010/04/homens-e-mulheres.html' title='HOMENS E MULHERES'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6658661533621428743</id><published>2009-12-01T05:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T05:50:48.648-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='magras; apolo; olimpo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="data-edicao hoje"&gt;&lt;span class="data"&gt;01 de dezembro de 2009 | N° 16172&lt;/span&gt;&lt;span class="alerta"&gt;Alerta&lt;/span&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=13631" class="voltar-edicao" title="Voltar para a edição de hoje"&gt;Voltar para a edição de hoje&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h4 class="tipo-h"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt; var nomet = "CLÁUDIO MORENO";  var nome_autor = "CLÁUDIO MORENO";    if (nomet == nome_autor) {  var nome = " CLÁUDIO MORENO";   }  else {  var nome = "CLÁUDIO MORENO | CLÁUDIO MORENO";  } document.write(nome); &lt;/script&gt; CLÁUDIO MORENO&lt;/h4&gt;&lt;span id="fonte"&gt;&lt;ul class="notas"&gt;&lt;!-- No tempo em que os deuses ainda desciam do Olimpo em busca do amor das belas mortais, Apolo tinha tudo para ser o partido mais cobiçado por todas. Além de ser o deus que curava as doenças e os ferimentos, ele presidia &amp;#150; sempre acompanhado das Musas, suas encantadoras ajudantes &amp;#150; todas as formas de música, de canto e de poesia. Sua figura serena era a encarnação do equilíbrio harmonioso entre o intelecto e a beleza física; os artistas sempre o representaram como um homem jovem, de porte atlético, com feições refinadas e um semblante inteligente &amp;#150; um modelo de beleza viril (e não é por acaso que até hoje o dicionário define um &amp;#147;apolo&amp;#148; como um homem belo, forte e elegante). Somem a tudo isso o fato de ser solteiro, e fica difícil imaginar que alguma mulher, antiga ou moderna, pudesse resistir a um homem com tantas qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nem tudo foram rosas para ele, pois foi rejeitado por mais de uma pretendida. O caso mais constrangedor foi o de Marpessa, uma princesa de extraordinária beleza: ele estava tão apaixonado que, numa atitude sem precedentes para um deus da sua importância, pediu-a prosaicamente em casamento &amp;#150; para ficar sabendo, aturdido, que um simples mortal, um tal de Idas, príncipe de um reino vizinho, também tinha entrado na disputa. Como era inevitável, os dois rivais um dia se defrontaram, primeiro com palavras, depois com os punhos. Apesar de desigual, a luta era terrível, e Zeus foi obrigado a intervir para apartar os dois pretendentes. Que a moça decidisse: com qual dos dois casaria? Para surpresa de todos e para escândalo de muitos, ela optou por Idas, alegando &amp;#150; quem sabe era mero pretexto? &amp;#150; que ela não teria uma vida feliz ao lado de um deus tão célebre e tão cultuado por toda a Grécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá para imaginar o retorno de Apolo ao Olimpo, cabisbaixo, derrotado, inaugurando, talvez, o mote que os homens despeitados repetem até hoje quando são trocados por algum rematado cretino: &amp;#147;É sempre assim: elas preferem os tolos!&amp;#148;. Os que usam esta ideia como consolo costumam reforçá-la com o exemplo de tantos gênios e artistas maltratados por suas mulheres &amp;#150; e apresentam terríveis exceções para reforçar a regra: daquelas que enfrentaram o desafio de ter um marido brilhante e criativo, muitas foram castigadas por sua ousadia, como lamentou tragicamente Clara, mulher de André Malraux: &amp;#147;Aos poucos eu fui percebendo que viver ao lado dele era um presente magnífico que eu pagava, dia a dia, com meu próprio aniquilamento&amp;#148;. &amp;#147;Eu não disse? É assim mesmo: elas não suportam o brilho!&amp;#148;, exulta Apolo, eterno ressentido &amp;#150; enquanto isso, talvez bem próximo dali, Afrodite trata de confortar alguma ninfa desiludida de amor, com palavras muito semelhantes, cheias de amarga ironia: &amp;#147;Não chores, minha filha, que não vale a pena; os homens sempre preferem as mais tolas &amp;#150; e as mais magras!&amp;#148;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&gt;&lt;li&gt;&lt;h2 class="tipo-c"&gt;Elas preferem os tolos?&lt;/h2&gt;      &lt;p&gt;No tempo em que os deuses ainda desciam do Olimpo em busca do amor das belas mortais, Apolo tinha tudo para ser o partido mais cobiçado por todas. Além de ser o deus que curava as doenças e os ferimentos, ele presidia – sempre acompanhado das Musas, suas encantadoras ajudantes – todas as formas de música, de canto e de poesia. Sua figura serena era a encarnação do equilíbrio harmonioso entre o intelecto e a beleza física; os artistas sempre o representaram como um homem jovem, de porte atlético, com feições refinadas e um semblante inteligente – um modelo de beleza viril (e não é por acaso que até hoje o dicionário define um “apolo” como um homem belo, forte e elegante). Somem a tudo isso o fato de ser solteiro, e fica difícil imaginar que alguma mulher, antiga ou moderna, pudesse resistir a um homem com tantas qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nem tudo foram rosas para ele, pois foi rejeitado por mais de uma pretendida. O caso mais constrangedor foi o de Marpessa, uma princesa de extraordinária beleza: ele estava tão apaixonado que, numa atitude sem precedentes para um deus da sua importância, pediu-a prosaicamente em casamento – para ficar sabendo, aturdido, que um simples mortal, um tal de Idas, príncipe de um reino vizinho, também tinha entrado na disputa. Como era inevitável, os dois rivais um dia se defrontaram, primeiro com palavras, depois com os punhos. Apesar de desigual, a luta era terrível, e Zeus foi obrigado a intervir para apartar os dois pretendentes. Que a moça decidisse: com qual dos dois casaria? Para surpresa de todos e para escândalo de muitos, ela optou por Idas, alegando – quem sabe era mero pretexto? – que ela não teria uma vida feliz ao lado de um deus tão célebre e tão cultuado por toda a Grécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá para imaginar o retorno de Apolo ao Olimpo, cabisbaixo, derrotado, inaugurando, talvez, o mote que os homens despeitados repetem até hoje quando são trocados por algum rematado cretino: “É sempre assim: elas preferem os tolos!”. Os que usam esta ideia como consolo costumam reforçá-la com o exemplo de tantos gênios e artistas maltratados por suas mulheres – e apresentam terríveis exceções para reforçar a regra: daquelas que enfrentaram o desafio de ter um marido brilhante e criativo, muitas foram castigadas por sua ousadia, como lamentou tragicamente Clara, mulher de André Malraux: “Aos poucos eu fui percebendo que viver ao lado dele era um presente magnífico que eu pagava, dia a dia, com meu próprio aniquilamento”. “Eu não disse? É assim mesmo: elas não suportam o brilho!”, exulta Apolo, eterno ressentido – enquanto isso, talvez bem próximo dali, Afrodite trata de confortar alguma ninfa desiludida de amor, com palavras muito semelhantes, cheias de amarga ironia: “Não chores, minha filha, que não vale a pena; os homens sempre preferem as mais tolas – e as mais magras!”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6658661533621428743?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6658661533621428743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/12/01-de-dezembro-de-2009-n-16172-alerta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6658661533621428743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6658661533621428743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/12/01-de-dezembro-de-2009-n-16172-alerta.html' title=''/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-1111160537418170060</id><published>2009-10-15T07:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T07:59:24.756-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='razão;crença;duvida;psicanalise;Calligaris'/><title type='text'>RAZÃO, CRENÇA E DÚVIDA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;h2 class="date-header"&gt;08 Outubro 2009&lt;/h2&gt;  &lt;a name="5662617251355744437"&gt;&lt;/a&gt; &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;   &lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Onde se manifesta a razão? Na arrogância de certezas absolutas ou na capacidade de duvidar?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  MEU PRIMEIRO contato com a  história que segue foi em  junho passado, no blog de  Richard Dawkins (&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.richarddawkins.net/"&gt;www.richarddawkins.net&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, site que se autodenomina "um oásis de pensamento claro"). Dawkins é o evolucionista britânico que se tornou apóstolo do racionalismo ateu e cético, escrevendo, entre outros livros, o best-seller mundial "Deus - Um Delírio" (Companhia das Letras, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis a história. Em 2002, na  Austrália, o casal Sam, de origem  indiana, perdeu a filha, Gloria, de  nove meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, a partir do quarto mês, apresentou sintomas de eczema infantil, que é uma condição alérgica que afeta mais de 10% dos bebês e, geralmente, acalma-se ou some aos seis anos ou na adolescência. As causas do eczema infantil não são bem conhecidas; a medicina administra a condição da melhor maneira possível, esperando que passe. O problema é que o eczema (pele seca com prurido) dá uma vontade de se coçar à qual as crianças não resistem, e a pele, ferida, abre-se para qualquer infecção. Foi o que aconteceu com Gloria, que morreu de septicemia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi falta de sorte: o pai de Gloria é homeopata e, em total acordo com a mulher, medicou a menina só com remédios homeopáticos (insuficientes na condição da menina). Isso até o fim, quando ela definhava pelas infecções internas e externas. Gloria foi levada a um hospital três dias antes de morrer: as bactérias já estavam destruindo suas córneas, e os médicos só puderam lhe administrar morfina para aliviar seu sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais de Gloria foram presos, acusados de homicídio por negligência e, no fim de setembro, condenados pela Justiça australiana: o pai, a oito anos de prisão, a mãe, a cinco anos e quatro meses. Segundo o juiz, Peter Johnson, ambos os pais "faltaram gravemente com suas obrigações diante da filha": o marido pela "arrogância" de sua preferência pela homeopatia e a mulher pela excessiva "deferência" às decisões do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os termos da decisão de Johnson são admiráveis. A obediência -ao marido, no caso-, seja qual for seu fundamento cultural, nunca é desculpa; ela pode ser, ao contrário, o próprio crime. E, sobretudo, o marido é condenado não por recorrer à homeopatia, mas pela "arrogância" que lhe permitiu perseverar em sua crença e em sua decisão diante do calvário pelo qual passava a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade, porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença. Ou seja, o juiz não discute o bem fundado da autoridade do marido e, ainda menos, os méritos respectivos da homeopatia e da medicina alopática. Tampouco ele quer limitar a liberdade de opinião, garantida pela Constituição; a sentença penaliza apenas, por assim dizer, a rigidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, eu (embora confiando, a princípio, na medicina alopática) já teria convocado não só os homeopatas (o que, aliás, seria uma banalidade, visto que a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida) mas também todos os xamãs, feiticeiros e curandeiros que me parecessem minimamente confiáveis. E, é claro, embora agnóstico, eu rezaria, sem nenhuma vergonha e sem o sentimento de trair minhas "convicções", pois a primeira delas, a que resume minha racionalidade, diz, humildemente, que há muito no mundo que minha razão não alcança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional? O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O surpreendente é que, ao ler os comentários dos leitores no blog de Dawkins, os "racionalistas" parecem tão "rígidos" quanto o pai de Gloria. "A razão" (que eles confundem com uma visão aproximativa do estado atual da arte médica) é, para eles, um objeto de fé, uma crença pela qual facilmente condenariam os "infiéis" à fogueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o juiz Johnson, pergunto:  onde se manifesta a razão? Na arrogância das certezas ou na capacidade de duvidar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="mailto:ccalligari@uol.com.br"&gt;ccalligari@uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-1111160537418170060?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/1111160537418170060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/10/razao-crenca-e-duvida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1111160537418170060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1111160537418170060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/10/razao-crenca-e-duvida.html' title='RAZÃO, CRENÇA E DÚVIDA'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-4389368086465868581</id><published>2009-09-05T10:43:00.000-07:00</published><updated>2009-09-05T10:46:13.724-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres;mitos;cultura;literatura'/><title type='text'>As mulheres de Atenas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chico Buarque de Holanda deu a letra, ao lembrar “as mulheres de Atenas” em que devemos nos mirar. Afinal de contas, é para os braços “de suas pequenas”, “Helenas”, que os “bravos guerreiros” voltam. O poeta e compositor está certo: Helenas e outras figuras femininas, nem todas beldades como a esposa de Menelau, mobilizaram o imaginário do Ocidente desde sua expressão original, entre a poesia produzida pelos gregos da Antiguidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos, é claro, por Helena. A lenda conta que ela motivou a guerra entre os aqueus e os troianos, guerra que durou 10 anos, mobilizou o melhor da elite militar grega e foi assunto de tantos poemas, constando a Ilíada e a Odisseia, atribuídas a Homero, entre os mais familiares. Casada com Menelau, Helena abandonou o marido para seguir Páris, filho de Príamo, o soberano de Troia, que recepcionou com charme e elegância a nora que acabou por desencadear a destruição de sua cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma tradição lendária sugere que Helena era a mais bela mulher de seu tempo. Como se trata do tempo mítico, ela é, para sempre e invariavelmente, a mais bela mulher, incomparável figura que paira imutável na fantasia do Ocidente. Por isso, sua presença na poesia e no pensamento grego é via de regra positiva e favorável. Na Ilíada, em conversa com Helena junto aos muros de Troia, de onde observa a movimentação da tropa dos aqueus, Príamo comenta que não considera a moça culpada pelos sofrimentos que vêm abatendo sua cidade. Na Odisseia, Helena já retornou aos braços de Menelau, acolhendo em seu palácio a Telêmaco, o filho de Ulisses que procura rastros do pai desaparecido, tendo-se passado outros dez anos, desde o final das lutas nas praias de Troia. Helena, bela e indiferente à passagem do tempo, chora a ausência do herói, ainda que o tenha visto pela última vez quando Ulisses, graças ao artifício do cavalo de madeira, orquestrava a conquista da até então inexpugnável cidadela, onde ela residia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sedutora, Helena é também ambígua e contraditória, retrato legado por Homero a seus sucessores. Entre esses, contam-se o poeta Estesícoro, que cogitou ter sido a verdadeira Helena substituída por um simulacro, este, sim, carregado por Páris para Troia, o sofista Górgias, que lhe dedicou uma oração elogiosa, e o dramaturgo Eurípedes, cujas tragédias ressaltam a duplicidade de sua personagem. Com efeito, se em As troianas a moça é perigosa, sem perder o fascínio que atrai os homens, entre os quais o marido Menelau, em Helena, ela mostra-se dócil, saudosa do cônjuge e parceira leal, quando se trata de encontrar um modo de ambos fugirem do príncipe que, no Egito, a aprisiona e deseja tê-la como esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Helena de muitas faces, sempre, porém, sedutora e fascinante, migra da poesia grega para a literatura ocidental, sem perder a identidade que a faz ímpar. Até Machado de Assis flertou com Helena, em seu romance de 1876, cuja protagonista, assinalada pela personalidade escorregadia e incerta, contudo, sedutora e cativante, antecipa a Capitu de Dom Casmurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado de Helena, colocam-se as esposas fiéis, que não cansam de aguardar seus maridos, tecendo, no intervalo, “longos bordados” e suportando “mil quarentenas”, conforme canta Chico Buarque. O paradigma por excelência é Penélope, que espera por 20 anos o retorno do trêfego Ulisses. Porém, cabe lembrar Dejanira, a um tanto ingênua esposa de Héracles, que, envolvido com inúmeros trabalhos, não confere a ela a devida atenção, embora, entre uma tarefa e outra, não perca a oportunidade de namorar outras princesas, conforme expõe Sófocles, em As traquínias. Tal como Penélope, Dejanira teme perder o amor do herói, mas seu bordado, convertido em uma túnica envenenada, determina o final trágico do poderoso guerreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiantes em suas mulheres, os maridos se deixam levar por sua falta de sagacidade. Ou talvez pela arrogância de vencedor, que os cega. Ou enfim pela imperícia com que lidam com questões familiares. Afinal, boa parte das tragédias encenadas por Sófocles e Eurípedes situa-se no âmbito doméstico, representando uma ou mais das seguintes situações. A primeira diz respeito à exposição do adultério, praticado pelo marido em Medeia, de Eurípedes, e pela esposa em Agamemnon, de Ésquilo. A segunda situação aprofunda o tema dos amores proibidos, ao dizer respeito à paixão de mães pelos filhos, como ilustra a relação entre Jocasta e Édipo, no drama de Sófocles, transposição cênica do mito inspirador da psicanálise freudiana. Também o Hipólito, de Eurípedes, lida com a atração filial, sendo a situação do incesto apresentada de modo deslocado, já que traduzida por Fedra, a jovem madrasta do protagonista da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não menos complexa, e mais povoada, é a terceira situação, a das filhas amorosas dos pais. Electra e Ifigênia, descendentes de Agamemnon, exemplificam o caso, a primeira protagonizando três tragédias diferentes, assinadas, cada uma, por um dos grandes nomes – Ésquilo, Sófocles e Eurípedes – do teatro ateniense, sintoma, pois, da relevância do tema para o imaginário dos gregos. Mas Antígona, personagem do drama homônimo, não fica atrás, não porque dirija seu afeto incestuoso para o pai, mas porque o desloca para Polinices, seu falecido irmão, em virtude do que perde a vida, provocando, por tabela, o suicídio de Hémon, seu noivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim colocadas as sinopses dos dramas atenienses do século V a. C., deparamo-nos com situações dignas do brasileiro Nelson Rodrigues. A conclusão sinaliza o fato de que aquelas mulheres de Atenas, ainda que distantes no tempo e no espaço, estão muito próximas de nosso universo psíquico e emocional. Logo, podemos entendê-las como nossas contemporâneas, inspiradoras do melhor que a literatura foi capaz de produzir no passado e exibe na atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São elas as únicas que repercutem na cultura ocidental? Não, pois, a seu lado, podemos colocar as Eva, Lia, Raquel, Madalena, das Bíblias hebraica e cristã. Mas essa é outra história e outro percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;small class="tipo-a"&gt;REGINA ZILBERMAN *&lt;!-- REGINA ZILBERMAN *--&gt;&lt;!-- * Professora da UFRGS e da FAPA--&gt; | * Professora da UFRGS e da FAPA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado:http://zerohora.clicrbs.com.br 05/09/2009&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-4389368086465868581?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/4389368086465868581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/09/as-mulheres-de-atenas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4389368086465868581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4389368086465868581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/09/as-mulheres-de-atenas.html' title='As mulheres de Atenas'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8325463510317074403</id><published>2009-09-02T12:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T12:57:30.139-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicanalise;APPOA;jornada;clinica'/><title type='text'>JORNADAS CLÍNICAS DA APPOA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/Sp7N6hJ1T7I/AAAAAAAAALk/YyFu2xu_mlU/s1600-h/estruturas+freudianas.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 217px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/Sp7N6hJ1T7I/AAAAAAAAALk/YyFu2xu_mlU/s320/estruturas+freudianas.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376961410342670258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os mistérios da mente e sua capacidade de atormentar e até mesmo enlouquecer os homens têm sido objeto de interesse e estudo tão antigos quanto a própria história humana. Da tentativa de extirpar a “pedra da loucura”, na Idade Média, passando pelo inconsciente freudiano, até as atuais propostas de interpretar e tratar os males psíquicos pela via orgânica, muitos caminhos foram e são percorridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista da psicanálise, a porta de entrada para o inconsciente foi a histeria. Tratava-se, inicialmente, do específico da neurose. O trabalho com o inconsciente levou Freud a formular outras questões a respeito das vias da delimitação do psiquismo, passando por diferentes organizações neuróticas, como a fobia e a neurose obsessiva, mas não se restringiu a elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi através do estudo do Caso Schreber que Freud articulou grande parte de suas proposições teóricas sobre o campo da psicose, especificamente, a paranóia, bem como aprofundou conceitos importantes como o narcisismo, extraindo desta articulação consequências fundamentais para a prática psicanalítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacques Lacan retomou essa obra de Freud no seminário “As psicoses” ou “As estruturas freudianas das psicoses”, de 1955-1956. Este seminário foi proferido por Lacan na gestação do estruturalismo na França, corrente de pensamento que elegeu em vários momentos como interlocutor de questionamentos que desejava transpor para a psicanálise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terreno específico das modalidades clínicas, ou estruturas clínicas como frequentemente chamamos, a influência estruturalista se faz presente, seja pelo nome que porta, seja porque neurose, psicose e perversão possuem cada uma delas, para além dos matizes e formas diferentes, um núcleo derivado das relações com o Nome-do-Pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje será que referendaríamos a influência do estruturalismo? E se não, seria agora por influência de uma cultura que não se interessa mais pelo que permanece? Ou por que o invariante da estrutura desmerece as muitas mudanças que um sujeito é capaz de realizar, independente de sua estrutura clínica? Ou ainda, a propalada mutabilidade e velocidade de nosso tempo influenciam a noção de um psiquismo que muda, transforma-se? Os sintomas têm mais relevância que a estrutura de fundo?  O aparente importa mais que a causa dele? Se sim, isto implica um fechamento para o inconsciente enquanto instância não aparente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja onde procuremos possíveis influências da cultura atual, encontramos referências à mutabilidade. Importa o que se desfaz, o que se transmuta, e a concepção de sujeito moderno acompanha essa noção. Mas e o sujeito da psicanálise? Como consideramos a tensão entre o fixo e o cambiável? Como incluir a noção de mutabilidade sem recair na imprecisão dos diagnósticos fenomenológicos? Questões centrais do nosso trabalho que permearão o debate proposto para essas Jornadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8325463510317074403?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8325463510317074403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/09/jornadas-clinicas-da-appoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8325463510317074403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8325463510317074403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/09/jornadas-clinicas-da-appoa.html' title='JORNADAS CLÍNICAS DA APPOA'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/Sp7N6hJ1T7I/AAAAAAAAALk/YyFu2xu_mlU/s72-c/estruturas+freudianas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-3856026735923155847</id><published>2009-08-24T05:45:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T05:51:02.001-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicanalise;Guberovich;ciumes;Freud'/><title type='text'>O QUE A GENTE NÃO DIZ!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SpKMe4hrusI/AAAAAAAAALE/4F89KjY7ASU/s1600-h/webHoldingontomyself_000.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SpKMe4hrusI/AAAAAAAAALE/4F89KjY7ASU/s320/webHoldingontomyself_000.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373511767604050626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornada de abertura dos trabalhos deste ano da Associação Psicanalítica de Porto Alegre – APPOA, trás a tona um tema sempre atual, discutido nas conversas sociais, nas revistas, na literatura: O ciúme. O “monstro de olhos verdes” como escreve Shakespeare em Othello. Capitu, com seus olhos de ressaca em Machado de Assis... Na literatura encontramos desde Freud material suficiente para refletir sobre o tema dos afetos. Numa carta a Schnitzler, escritor, Freud diz: “sua profunda apreensão das verdades do inconsciente e da natureza biológica do homem, o modo como o senhor desmonta as convenções sociais de nossa sociedade, a extensão em que seus pensamentos estão preocupados com a polaridade do amor e da morte, tudo isso me toca com uma estranha sensação de familiaridade. Assim, ficou-me a impressão de que o senhor sabe por intuição - realmente, a partir de uma fina auto-observação tudo que tenho descoberto em outras pessoas por meio de laborioso trabalho”¹. Desde que Sigmund Freud fundou a psicanálise que a condição excêntrica do homem possibilita inúmeras reflexões. Ele levantou a questão do mal-estar e elaborou uma teoria centrada na analise do sofrimento psíquico, muito abordado na literatura. Nesse contexto, o do sofrimento psíquico, que a psicanálise intervém na tentativa de sustentar a subjetividade e a condição desejante de um sujeito desamparado frente às forças da natureza. Assim, os temas para reflexão são abordados nas suas mais diferente formas: “Amor, ódio, ciúme, assassinato, espera...&lt;br /&gt;Como escapar de sentimentos tão batidos? De todos os que poderíamos aqui enumerar, o ciúme continua sendo aquele que tendemos a dissimular. Do mesmo modo que o alcoólatra bebe escondido, o ciúme mascara sua vergonha. Freguês dos sentimentos ausentes? Não. O ciúme não se assume. Fere. Refugia-se e desenvolve-se insidiosamente no âmago de nossa cúmplice ignorância. Obsceno, recalca-se. O ciúme nos fala de amor. Não pelo parceiro com o qual vamos trocar nossas palavras. Ele me fala do amor que me diz o quanto me amo graças a você, objeto de meus pesadelos. Eros bumerangue. Eros seria freudiano. Mas ele é freudiano! E o ódio? A flecha do ódio. Ter necessidade de alguém único que nos olhe como alguém único[...]Quem escapa a isso? Quem não sonha com um outro que seja confiável?”²&lt;br /&gt;Com este fragmento de um livro belíssimo de Denise Lachaud falemos outra vez do ciúme! De que outra coisa falaremos? Não temos como escapar de sentimentos tão batidos, porque o afeto faz parte de nossa condição humana. Quando elegemos alguém para amar o fazemos por identificação narcísica: “nós nos encontramos”; quer dizer que me encontrei em um outro idealizado. Assim, se me encontrei estou completa. Nada me falta. No entanto, somos inseguros, não sabemos porque o escolhido é aquele. No ciúme é colocado em jogo o desejo, a falta e o olhar. O olhar comparece com sua face mortífera. O ciúme ofusca um sujeito que se sente um espectador excluído da cena. Mas não é um sentimento evidente e requer abordagens sutis, mesmo que seja um afeto que aflige a todos. Na tentativa de apreensão do desejo do outro o próprio sujeito se perde. Freud escreve que o ciúme pode ser delirante, pode ser normal, mas sua característica principal é a certeza: todos querem este que é objeto de meu desejo. Qualquer sinal designa o culpado. Mas como disse Diana Corso, desconfie do ciumento: é ele quem esta de olho na cerca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¹Freud e seu duplo – Noemi Moritz Kon&lt;br /&gt;²Ciumes – Denise Lachaud&lt;br /&gt;Diana Corso – Psicanalista membro da APPOA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza Guberovich – &lt;br /&gt;Membro da Associação Espaço Psicanalítico – AEP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-3856026735923155847?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/3856026735923155847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/08/o-que-gente-nao-diz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3856026735923155847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3856026735923155847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/08/o-que-gente-nao-diz.html' title='O QUE A GENTE NÃO DIZ!'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SpKMe4hrusI/AAAAAAAAALE/4F89KjY7ASU/s72-c/webHoldingontomyself_000.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5367335142160383545</id><published>2009-06-10T05:14:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T05:20:19.034-07:00</updated><title type='text'>PENAS DO TIO PATINHAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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É um personagem que atravessou décadas acompanhando e formando o imaginário infantil de muitos de nós. Criado por Carl Barks, sua estréia aconteceu em dezembro de 1947, na história &lt;i&gt;Christmas on Bear Mountain&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Natal nas Montanhas&lt;/i&gt;, no Brasil, publicada pela primeira vez em 1953 no gibi &lt;i&gt;Mickey # 15&lt;/i&gt;, da &lt;span style=""&gt;Editora Abril&lt;/span&gt;), protagonizada pelo Pato Donald.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Este velho avarento, mesquinho, que só pensa em suas patacas, não casou, não teve filhos, e esconde a revelação de seu verdadeiro herdeiro. O que ocasiona muitos atritos entre seus prováveis detentores de suas patacas. A vida deste Pato se resume a vigiar e acumular suas moedas de ouro. Como disse minha filha, após a primeira leitura de um daqueles gibis: “Ele só pensa em riqueza e vive mal-humorado!”. Uma síntese oportuna para quem nem precisou percorrer seis décadas das histórias do velho para concebê-lo como o grande avarento das histórias &lt;st1:personname productid="em quadrinhos. Sua" st="on"&gt;em quadrinhos. Sua&lt;/st1:personname&gt; riqueza parece ser inversamente proporcional à composição de seu espírito. Tio Patinhas só opera com um cálculo em sua existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;No entanto, é preciso não ficarmos absorvidos pela sua avareza – o atributo mais evidente de seu modo de ser no mundo. Mesmo que tenhamos a nítida impressão que com todas as suas &lt;i style=""&gt;penas&lt;/i&gt;, ele é um mártir da obediência cega a uma lógica utilitária da condição humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Transpondo a lógica econômica para uma da economia psíquica, de uma forma de funcionamento subjetivo, aquele Pato mal-humorado indica algumas luzes sobre o que é investimento e gasto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;No discurso contemporâneo de nossa cultura está presente uma sentença de que os ganhos de um investimento devem ser garantidos de antemão. Vide as inúmeras formas de ‘seguros’ existentes: de bens materiais a humanos (não devemos esquecer que sempre se paga para acioná-los). O psicanalista Contardo Calligaris definiu o neurótico como aquele que quer andar de trem, mas não quer pagar - não tem certeza que sua poltrona será confortável, se chegará na hora exata, terá uma boa companhia, etc. O valor de seus ganhos tem que ser diretamente proporcional ao preço da passagem. Facilmente, se desconhece que é preciso perder para ganhar, assim como nem sempre há um encontro entre preço e valor. Entregue a este cálculo, pode-se ficar parado na estação, vendo o trem passar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;A genialidade do Tio Patinhas é de que ele nos ajuda a pensar no quanto uma vida pode ser miserável com tantas patacas. Ele nos ensina o preço de não arriscar, de um funcionamento de vida regido apenas pela via de um cálculo; e as penas que poderiam lhe fazer movimentar, nada mais servem do que penar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Publicado na Coluna “Descronificando”, Jornal &lt;i style=""&gt;Hora H&lt;/i&gt;, 29/5/2009.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5367335142160383545?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5367335142160383545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/06/penas-do-tio-patinhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5367335142160383545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5367335142160383545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/06/penas-do-tio-patinhas.html' title='PENAS DO TIO PATINHAS'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-317204589833171683</id><published>2009-02-26T17:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T11:27:07.007-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio;psicanalise;'/><title type='text'>Suicídio: do horror ao fascínio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SadCwGYtz4I/AAAAAAAAAJs/LufuMWRypHc/s1600-h/pagina+26.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 237px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SadCwGYtz4I/AAAAAAAAAJs/LufuMWRypHc/s320/pagina+26.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307284079994851202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;CLIQUE NA IMAGEM PARA LER O TEXTO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-317204589833171683?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/317204589833171683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/02/suicidio-do-horror-ao-fascinio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/317204589833171683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/317204589833171683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/02/suicidio-do-horror-ao-fascinio.html' title='Suicídio: do horror ao fascínio'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SadCwGYtz4I/AAAAAAAAAJs/LufuMWRypHc/s72-c/pagina+26.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5243476667987394298</id><published>2009-02-01T10:33:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T10:47:12.615-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Umberto Eco'/><title type='text'>Fragmentos:</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E os ladroes, de onde saem? Por onde passam? Ninguém os vê. Depois se fica sabendo: esta noite arrombaram a porta, roubaram aqui, roubaram acolá. Mas como farão para não serem vistos? E nunca sabem explicar a proveniência de qualquer muamba. Lê-se sempre nos jornais: foi encontrado de posse de tal objeto, cuja proveniência não soube explicar. Diabos! Aos ladrões só se pede que expliquem uma coisa: não a quadratura do círculo ou um problema de álgebra, mas apenas a proveniência do espólio. Pois bem, ainda estou para ver um ladrão que tenha sabido explicá-la. Mas não terão nem um pouco de imaginação? Não podem inventar alguma coisa que tenha aparência de verdade? Para eles, essa proveniência deve ser o que é para os pensadores a imortalidade da alma, o infinito ou - pior - o infinito.&lt;br /&gt;Coisa igualmente estranha é a obstinação com que os agentes de polícia continuam a pedir aos ladrões que expliquem a tal proveniência. Ainda nao se convenceram a ignorá-la, ainda não entenderam que os ladrões não a sabem explicar. Que os predam, então, mas nos poupem dessa penosa questão."&lt;br /&gt;*Entre a mentira e a ironia -Umberto Eco&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5243476667987394298?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5243476667987394298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/02/fragmentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5243476667987394298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5243476667987394298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2009/02/fragmentos.html' title='Fragmentos:'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6820848509479151923</id><published>2008-12-25T06:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-25T06:06:06.552-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dom Casmurro;Tereza Guberovich; psicanalise'/><title type='text'>CASMURRO ABRE O JOGO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div id="ctl00_ContentPlaceHolder1_pnlImgSubtitulo" class="imgSubTituloArtigo" style="width: 100%;"&gt;                                       &lt;img id="ctl00_ContentPlaceHolder1_imgSubtitulo" src="http://www.revistapiaui.com.br/images/2008/dezembro/Artigo_836/SUBTITULO_IMG.jpg" alt="Em apenas um capítulo, o cavalheiro tolerante e refinado sutilmente se transforma em patriarca suspeitoso e primitivo" style="border-width: 0px; padding-left: 3px;" /&gt;                                  &lt;/div&gt;                                 &lt;span id="ctl00_ContentPlaceHolder1_lblAutor" class="autor" style="padding-left: 4px;"&gt;ROBERTO SCHWARZ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como esta é uma homenagem a Machado de Assis, vou falar da qualidade do trabalho artístico dele, que é verdadeiramente excepcional e não é fácil de notar. Os capítulos de abertura dos seus romances são obras-primas, um melhor que o outro. A sua sutileza é tão grande que freqüentemente passa despercebida. Eles requerem uma espécie de atenção absoluta que não estamos acostumados a dar à prosa. Dizendo de outro modo, eles pertencem à tradição nova – começada com Flaubert – do romance escrito com os cuidados até então reservados à poesia. Vamos ler a primeira página de Dom Casmurro e vocês vão ver do que estou falando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do Título&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Continue, disse eu acordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Já acabei, murmurou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– São muito bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renania; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não vamos esquecer que essa passagem é uma explicação do título do livro, oferecida pelo próprio autor, ou pseudo-autor. De início assistimos à tensão ligeiramente cômica entre dois cavalheiros num vagão de trem, uma espécie de guerrilha de esnobismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um, o mais velho, que é o narrador, quer que o deixem tranqüilo. Outro, mais jovem, quer entabular conversação. O mais velho é reservado e distinto, e preza a privacidade a que as pessoas civilizadas têm direito num trem. Ele se defende dos passageiros metidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais moço é um morador do bairro e se comporta com a familiaridade normal entre vizinhos, familiaridade à brasileira, que não incomoda senão os pretensiosos. Mas sem-cerimônia não é inferioridade, e também ele aspira à distinção, à condição superior, de gentleman: a conversa sobre a lua e os ministros e a declamação de versos – tudo chavões acanastrados, que indicam a gente distinta – são a prova disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras palavras, a distância que o primeiro cavalheiro quer impor ao segundo é uma arrogância descabida. Ele fez por merecer o apelido de Casmurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apelido tem sorte e pega. Os demais vizinhos do bairro, que nutrem o mesmo ressentimento contra o cavalheiro que não quer conversa, adotam o nome com prazer, para marcar a irritação com a pretensão aristocrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o viajante mais velho não se zanga e conta a história de suas desventuras de bairro aos amigos elegantes que vivem no centro. As futricas da periferia são assunto de conversação para a gente superior. Por sua vez, os amigos elegantes também se divertem com o apelido e passam a usá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conseqüência o próprio Dom Casmurro o acha simpático e decide adotá-lo como título das memórias que começa a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recapitulando, o apelido a) se deve ao encontro casual entre dois passageiros; b) ele se firma devido a uma antipatia social, que opõe um bairro a um cavalheiro calado ou pretensioso; c) o apelido viaja a outro bairro mais fino, levado pela tolerância elegante desse mesmo cavalheiro, que gosta de contar a história; d) o apelido firma-se também no bairro mais fino, graças ao humorismo da roda dos amigos bem-postos; e) nessa altura a vítima do apelido acha graça nele, perdoa a intenção insultuosa e o adota em espírito de conciliação com o companheiro do trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o processo através do qual nasceu o título do livro é uma ostensiva lição de tolerância: ele envolve a superação da animosidade entre duas pessoas, uma animosidade que tem conotação de classe; envolve também a superação da birra entre bairro e centro da cidade; e mostra enfim que há gosto e charme em superar essas pequenas tensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras palavras, o título do livro é o resultado de um processo em várias etapas, com acento na conciliação e na conservação: o apelido retém e combina algo dos diferentes instantes, das diferentes pessoas, das diferentes classes, dos diferentes bairros que o fizeram existir. Sem que as oposições se apaguem, nada se perde, tudo se conserva vivo e contribui à sua maneira, o que mal ou bem é um exemplo de harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se também a parte importante do acaso nesse processo. Os passos que levaram à escolha não são guiados por nenhuma intenção marcada, nem por uma finalidade que os unifique. Eles vão acontecendo, mais ou menos à deriva. Essa é uma concepção realista do curso das coisas, sem as ilusões de uma providência superior, e sem pretensões de guiar o mundo. Aliás, a capacidade do narrador de adaptar-se às contingências da vida parece ser uma sabedoria, uma forma de elegância, de saber viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se igualmente que o roteiro faz parecer irreais as fronteiras entre o “teu” e o “meu”, entre o que é de um e o que é de outro, e que essa suspensão tem uma beleza muito própria. De fato, o título de livro acolheu e acomodou razões de proveniência variada e oposta, sem corresponder a nenhuma com exclusividade. Repisando, ele foi se fixando através do choque casual entre intenções individuais, entre grupos sociais, entre bairros, sem ser devido a nenhum desses elementos em separado, e dando alguma satisfação a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou melhor, ele é um resultado da vida da cidade ela mesma, com suas divisões – um resultado que veio a ser, sem ter sido buscado, e que é poético e generoso por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui há uma espécie de sabedoria moderna, que consiste em viver mais com a cidade como um todo que com uma contabilidade estrita do que é devido a cada indivíduo em separado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, o nosso comentário dessa tolerância do narrador, com o seu cavalheirismo particular, se deteve a três linhas do final do capítulo, quando o tom do argumento muda sensivelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na linha anterior à mudança, completando o processo de conciliação, o autor dizia: “Também não achei melhor título para a minha narração; senão tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor.” Ou seja, o poeta do trem incomodou o cavalheiro reservado, mas este aproveitou para título o apelido implicante que o primeiro lhe tinha posto, e ficam elas por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, contudo, entra a nota diferente, de escárnio: “E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua.” A ironia sugere que é bem possível que o poeta do trem seja displicente, seja folgado em questões de propriedade, e isso naturalmente seria algo como uma apropriação, para não dizer um -roubo. O narrador que não viu problema em tomar emprestado um título, logo em seguida imagina que lhe possam roubar a obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, a última frase do capítulo: “Há livros que apenas terão isso de seus autores; alguns nem tanto.” A tolerância que não via mal na dimensão coletiva ou sem cerca da imaginação, e que até se comprazia nela, se transformou em seu contrário. As coordenadas da propriedade passaram para o primeiro plano: além do título (mas quem tomou emprestado o título?), o próprio corpo do livro pode não ser de quem parece. Há livros andando por aí que não têm de seus autores presumidos nem o título nem a substância. Ou ainda, inversamente, há autores andando por aí cujos livros não são seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que corresponde esse tom escandalizado e amargo? Há uma vaga sugestão de caos, de vida desqualificada, atrás da idéia de uma vida fora das pautas da propriedade. A esta altura o autor está denunciando a ladroeira generalizada, a um passo de chamar a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança de tom é abrupta, mas ainda assim é inocente: em fim de contas trata-se apenas das vaidades e dos pesadelos da autoria. Pois bem, se recordarmos que a obsessão de Dom Casmurro é a paternidade duvidosa, o argumento adquire conotações novas. Com efeito, essas ambivalências em relação à autoria são o primeiro anúncio, em surdina, do tema da paternidade incerta. Se substituirmos a palavra “livro” pela palavra “filho”, a temperatura sobe violentamente: “Há filhos que apenas terão isso (o nome) de seus autores (pais); alguns nem tanto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí estamos, no mundo desconfiado e brutal das obsessões patriarcais, em que a humanidade não é composta senão, com perdão da palavra, de filhos-da-puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transformação súbita do cavalheiro tolerante e refinado em patriarca suspeitoso e primitivo é um movimento central de Dom Casmurro e da visão que Machado construiu da elite brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.revistapiaui.com.br&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.revistapiaui.com.br/images/fimtexto.gif" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6820848509479151923?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6820848509479151923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/12/casmurro-abre-o-jogo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6820848509479151923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6820848509479151923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/12/casmurro-abre-o-jogo.html' title='CASMURRO ABRE O JOGO'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8363114287301902700</id><published>2008-12-16T04:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T15:04:51.688-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olhar;Revista Afinal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dom Casmurro;Tereza Guberovich; psicanalise'/><title type='text'>Olhos de ressaca: o olhar em Dom Casmurro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SUeltTBYgZI/AAAAAAAAAHs/97AmONFW2CY/s1600-h/afinal+pag+06.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 237px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SUeltTBYgZI/AAAAAAAAAHs/97AmONFW2CY/s320/afinal+pag+06.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280371285733966226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA LER o TEXTO CLIQUE NA PAGINA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8363114287301902700?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8363114287301902700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/12/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8363114287301902700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8363114287301902700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/12/blog-post.html' title='Olhos de ressaca: o olhar em Dom Casmurro'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SUeltTBYgZI/AAAAAAAAAHs/97AmONFW2CY/s72-c/afinal+pag+06.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-154874135793348090</id><published>2008-11-11T16:47:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T16:58:28.579-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Machado de Assis; Guberovich; psicanalise; Revista Afinal'/><title type='text'>Ao Vencedor, as batatas!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SRooTOOXcvI/AAAAAAAAAHM/rxNPbbVz7lc/s1600-h/PAGINA+05.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 237px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SRooTOOXcvI/AAAAAAAAAHM/rxNPbbVz7lc/s320/PAGINA+05.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267567024864195314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Clique na imagem para ler o texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-154874135793348090?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/154874135793348090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/11/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/154874135793348090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/154874135793348090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/11/blog-post.html' title='Ao Vencedor, as batatas!'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SRooTOOXcvI/AAAAAAAAAHM/rxNPbbVz7lc/s72-c/PAGINA+05.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8747795336918879682</id><published>2008-11-09T17:41:00.001-08:00</published><updated>2008-11-09T17:41:24.878-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“A ficção para ser purificadora precisa ser atroz। O personagem é vil para que não o sejamos। Ele realiza a miséria inconfessa de todos nós”.  Nelson Rodrigues&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8747795336918879682?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8747795336918879682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/11/fico-para-ser-purificadora-precisa-ser.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8747795336918879682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8747795336918879682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/11/fico-para-ser-purificadora-precisa-ser.html' title=''/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-1524459619814923835</id><published>2008-10-26T12:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-26T12:50:36.057-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='angústia; psicanalise; APPOA'/><title type='text'>A INDEFINÍVEL ANGÚSTIA</title><content type='html'>Como saber quando a sensação, normal e até saudável, está passando do limite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A angústia é um daqueles conceitos que todo mundo entende, mas ninguém consegue definir. Uma sensação de aperto que não é física, uma violenta agitação imóvel, uma ferida que dói e sangra não por fora, por dentro. Imagens sem fim podem ser usadas para descrevê-la, mas nenhuma a abraça. Diante de uma aflição de limites tão imprecisos, uma pergunta se impõe: como saber quando a angústia deixa de ser uma reação psíquica normal e até saudável para se transformar em doença?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O tema se tornou tão atual que a Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa) resolveu dedicar seu próximo congresso, de 14 a 16 de novembro, integralmente à angústia, abordando-a sob enfoques como o econômico e o cultural. O psicanalista Robson de Freitas Pereira, um dos coordenadores do encontro, diz que não há regras fixas para saber quando ela passou do limite do normal e entrou no campo do patológico. Mas há alguns sinais que devem fazer o alarme soar. A ajuda de um profissional é necessária quando o indivíduo é levado a se desqualificar por estar angustiado e interpreta a angústia como um sinal de fracasso – no trabalho, na função paterna ou na relação amorosa, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Está na hora de buscar auxílio terapêutico quando o sofrimento se torna repetitivo demais, a ponto de tomar conta da identidade do indivíduo – aconselha Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observar as pessoas ao redor também pode ser uma boa orientação: quando parentes e amigos começam a se angustiar junto, é sinal de que a angústia passou do limite।&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-1524459619814923835?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/1524459619814923835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/10/indefinvel-angstia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1524459619814923835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1524459619814923835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/10/indefinvel-angstia.html' title='A INDEFINÍVEL ANGÚSTIA'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-9029065059377773887</id><published>2008-10-01T10:04:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T10:08:16.859-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coringa;psicanalise;artificial'/><title type='text'>A Charada do Coringa</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Por que tão sério?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O demoníaco Coringa da derradeira atuação de Heath Ledger (em &lt;em&gt;Batman – O Cavaleiro das Trevas&lt;/em&gt;, de Christopher Nolan) roubou a cena. O jovem ator australiano construiu um vilão cheio de tiques e olhares alucinados, representando uma encarnação do mal digna da linhagem do &lt;em&gt;Hannibal&lt;/em&gt; de Hopkins e do &lt;em&gt;Iluminado&lt;/em&gt; de Nicholson.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Complementar a essa performance, está a brincadeira que o Coringa faz com a psicogênese do mal: cada vez que ameaça cortar ou matar uma de suas vítimas, compraz-se em narrar um trauma de infância, que teria dado origem às suas cicatrizes e à sua crueldade. Porém, ele mente ou distorce, pois ele sempre conta um episódio diferente. As versões giram em torno duma história familiar trágica e triste, conseqüência da qual teria ficado em seu rosto um corte em ambas comissuras labiais que lhe impõe um “sorriso” sinistro. Um trauma que justificaria o fato de que ele se divirta com o sofrimento alheio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A maldade gratuita do palhaço demoníaco de Ledger ridiculariza nosso desejo de controlá-la, como se ao lhe saber a origem pudéssemos também prevenir e, principalmente, garantir que ela não se expresse. Enigmaticamente, ninguém é alheio ao mal: todos nós retiramos algum prazer da evocação da violência e do assassinato em nossos sonhos e devaneios, na ficção, nos jogos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É no bordão usado pelo Coringa quando está subjugando suas vítimas, que talvez possamos encontrar um esboço de resposta sobre a origem da maldade. Ele lhes pergunta: “por que tão sério?”, enquanto tenta matá-las. A seriedade a que se refere é a de não estar rindo, como ele próprio, cuja cicatriz o força a uma boca sempre sorridente, tão artificial como a das mulheres excessivamente plastificadas. O patético riso do Coringa parodia a felicidade compulsiva e aparente, exibida nos comerciais e nas revistas de celebridades. &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O Coringa é o monstro do império do gozo. Todos devemos ser ricos, ociosos, que alguém nos sirva e divirta o tempo todo, ter orgasmos múltiplos, não suportar contrariedades nem enfados. O problema é que na vida a chatice é regra e a felicidade exceção. Nesse simulacro de alegria, é preciso viver sempre como se estivéssemos a bordo de um iate, rodeados de amantes, lindos e jovens. Frente a isso, como suportar os enfados dos vínculos amorosos, familiares, do trabalho? O Coringa não tem essas mágoas, ele é louco de rasgar dinheiro, seu gozo desmedido não tem preço, está sempre a seu dispor. Esse vilão na sua plenitude é sob medida para nosso mundo imediatista: ele não quer, ele &lt;span&gt;pega।&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a class="copiarlink" href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=93076&amp;amp;blog=478&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3994.dwt" title="copiar o link deste post"&gt;Linkterradonunca&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-9029065059377773887?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/9029065059377773887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/10/charada-do-coringa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/9029065059377773887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/9029065059377773887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/10/charada-do-coringa.html' title='A Charada do Coringa'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6312585712910830850</id><published>2008-09-30T07:50:00.000-07:00</published><updated>2008-09-30T07:53:57.066-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saramago; cegueira; filme;'/><title type='text'>ENSAIO SOBRE A COVARDIA</title><content type='html'>&lt;div&gt;                                                                                                                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                                             Machado da Silva &lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Correio do Povo, 30/09/2008Cada lugar tem as suas rivalidades  incontornáveis। No Rio Grande do Sul, sou colorado, maragato e Cyro Martins,  enquanto outros são gremistas, chimangos e Erico Verissimo. Em Portugal, sou  Lobo Antunes, enquanto metade do país é José Saramago. É sempre o mesmo esquema.  Lobo Antunes é cético, cínico, irônico, barroco e desconstrutor de mitos.  Saramago crê. Dá lições de moral. Aposta no futuro, até no futuro do passado,  conservando sua carteirinha de comunista nem que seja para fazer gênero. Mesmo  assim, fui ver 'Ensaio sobre a Cegueira', dirigido pelo mauricinho Fernando  Meirelles. Eu implico com Meirelles e com Walter Salles. Cada vez que os dois  fazem algo, há um batalhão de bajuladores para dizer logo que finalmente o mundo  tem uma nova obra-prima. É sempre menos do que dizem esses lobistas de plantão,  entre os quais se destacam Contardo Calligaris e Jurandir Freire. O filme é  legal. Bem menos chato que o livro. O bom de certos filmes é que dispensam muita  gente de ler alguns livros rebarbativos. A idéia de Saramago foi genial. A  execução bem menos. É a história da covardia humana. Qualquer pessoa  razoavelmente lúcida sabe que a humanidade não é confiável. Uma maneira, por  exemplo, de falar do Holocausto. Mas não dos homens-bomba de hoje, que morrem  por suas causas, muitas vezes absurdas ou patéticas, mas não aceitam a  humilhação passiva. Jean Baudrillard dizia que era essa a superioridade dos  terroristas em relação à ideologia ocidental da morte zero, do risco zero, da  incapacidade de morrer por uma idéia. O problema do filme e do livro é que, como  quase sempre acontece com Saramago, ele pesa a mão na parábola. A mensagem é  redundante: a humanidade não enxerga o essencial, não vê um palmo à frente do  nariz, não percebe que se extravia em mesquinharias deixando o relevante - o  amor, a generosidade, a cooperação, os bons sentimentos, a solidariedade, a mão  estendida - de lado. Como duvidar disso? Mas é explícito demais. O fato de só  uma pessoa continuar enxergando entre todos os atingidos pela súbita cegueira  parece indicar algo ainda mais óbvio: a necessidade de um líder de visão ou de  uma vanguarda iluminada. Pode-se, contudo, sair do cinema com a mensagem  inversa: não tem jeito, o homem é mau por natureza e, em qualquer situação,  seguirá os seus instintos mais baixos. Ou, ainda, com uma leitura menos  extremista: há sempre bons e maus, parasitas e parasitados, cretinos e nem tão  cretinos assim. Depende.Saramago remete à velha lição de Hobbes: o homem é o  lobo do homem. Ainda é nobre demais. Filosófico demais. O homem é o cão. Místico  demais. O homem é o cachorro do homem. Mais atual. Em todo caso, não precisa ser  muito esperto para ter essa sacada. 'Ensaio sobre a Cegueira' mostra que não há  nada de novo no front. Cinismo, maldade, ambição desmesurada, covardia e falta  de caráter continuam a travar um combate diário com os seus opostos e, com  freqüência, levam vantagem. Criativo, o Brasil antecipou o livro inteiro de José  Saramago numa frase publicitária que marcou época, a chamada Lei de Gérson: 'Eu  gosto de levar vantagem em tudo, certo?'. Errado. Mas vá convencer os defensores  de que só a competição melhora o mundo dessa verdadezinha tão sem graça. O  sujeito sai do cinema com uma certeza: pior cego é o que vê demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6312585712910830850?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6312585712910830850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/ensaio-sobre-covardia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6312585712910830850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6312585712910830850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/ensaio-sobre-covardia.html' title='ENSAIO SOBRE A COVARDIA'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-630044626107602102</id><published>2008-09-27T16:02:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T17:28:03.102-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ressentimento;psicanalise;Freud;Afinal'/><title type='text'>RESSENTIMENTO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SN6_7FKa8WI/AAAAAAAAAHE/MaoWUZv81JQ/s1600-h/RevistaAfinal+PG+12.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SN6_7FKa8WI/AAAAAAAAAHE/MaoWUZv81JQ/s320/RevistaAfinal+PG+12.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250845237279650146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para ler o texto clique na imagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-630044626107602102?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/630044626107602102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/630044626107602102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/630044626107602102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/blog-post.html' title='RESSENTIMENTO'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SN6_7FKa8WI/AAAAAAAAAHE/MaoWUZv81JQ/s72-c/RevistaAfinal+PG+12.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-2815530531303369954</id><published>2008-09-02T18:53:00.000-07:00</published><updated>2008-09-02T18:57:22.683-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Freud;Melmann;fronteiras;'/><title type='text'>Freud explica?</title><content type='html'>&lt;h3 id="post-31"&gt;&lt;a href="http://backstagenet.hospedagemdesite.com/fronteiras/blog/?p=31" rel="bookmark" title="Permanent Link to Freud explica?"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;     &lt;small&gt;Sexta-feira, Maio 18th, 2007&lt;/small&gt;      &lt;div class="entry"&gt;      &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Jean-Pierre Lebrun e o ressurgimento de Robinson Crusoé&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O nono encontro do curso de altos estudos &lt;em&gt;Fronteiras do Pensamento&lt;/em&gt; trouxe dois grandes nomes da psicanálise atual, o francês Charles Melman e o belga Jean-Pierre Lebrun com as conferências &lt;em&gt;O pensamento de Fronteiras&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Subjetividade e laço social&lt;/em&gt;, respectivamente. Apresentadas pela jornalista Tânia Carvalho, na noite de terça-feira, 16 de maio de 2007, as palestras tiveram o mesmo tema principal, a aquisição dos códigos de linguagem social e a conseqüente “perda do gozo”, conceito já analisado por Sigmund Freud e retomado por Jacques Lacan.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Partindo da atual incapacidade dos pais de dizerem “não” a seus filhos, o primeiro convidado da noite, &lt;strong&gt;Jean-Pierre Lebrun&lt;/strong&gt;, discorreu sobre a mutação dos laços sociais, causada por indivíduos que hoje negam os interditos fundamentais ao ser humano − sentimentos de culpa, dúvida, escrúpulos, inibição do pensamento e da ação etc. −, responsáveis pela perda do gozo durante o processo de aquisição dos códigos da linguagem e da sociedade. Segundo o especialista, a figura da criança, que segue suas próprias leis e é ignorante quanto a conceitos de certo e errado, vai de encontro às regras sociais ao incorporar os códigos da linguagem. “O &lt;em&gt;enfant&lt;/em&gt;, então” (criança em francês – aquele que não fala), “vai precisar subjetivar, tornar suas, as leis em todos os níveis impostos. Há a perda do gozo para que algo se implante: a capacidade de falar”, elucida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Continuando o raciocínio, o psiquiatra fez uma análise histórica da sociedade que outrora assumia uma organização hierárquica piramidal, tendo no topo a figura de Deus e dos seus representantes na Terra. Porém, atualmente, por meio do discurso da ciência, do questionamento das autoridades religiosas e políticas, da mão invisível do neoliberalismo, que acaba por extinguir a necessidade de um comando maior que organize as estruturas e da instituição da democracia – como exemplifica o médico –, o homem parece destruir as posições sociais diferentes das suas próprias, que Lebrun chama de “lugar de exceção” ou “lugar de diferença”. “O que antes se colocava no lugar de Deus, hoje é compartilhado pelo povo; tornam-se lugares sociais e perdem a necessidade de existir. Tornamo-nos seres autônomos. A perda do gozo necessária para a humanidade passa a ser questionada”, afirma, explicando a conseqüência da falta de uma liderança a ser respeitada e seguida pelo coletivo, e acrescenta: “A noção do interdito, que servia para regular, também perde o efeito. Hoje não há mais regulação, o que é ótimo para a economia de mercado. Mas, na sociedade concreta, este desmanche do lugar de exceção deslegitima aqueles que têm por tarefa assumir a perda do gozo, como professores, que precisam dizer não aos alunos ou dar um conceito negativo, ou políticos, que se encontram numa impossibilidade de guiar o povo”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A construção do sujeito, feita pela educação proveniente dos pais, também se desfaz, retoma o médico. Sem as regras e interditos, cria-se um sujeito para o qual a chance de intervir na sociedade foi banida. A criança se torna um homem que não produz, um sujeito que, como conceitua o colega de conferência Charles Melman, não tem gravidade, que flutua em meio às classes desfeitas. Lebrun esclarece a figura deste novo homem, que já não faz mais suas escolhas, pois “o ato de optar acarreta em assumir a perda do que não escolho”. Este homem que é a personificação da&lt;em&gt; criança generalizada&lt;/em&gt;, conceito criado por Jacques Lacan, que não aceita se deixar limitar por algo em proveito do coletivo, “é como um Robinson Crusoé cercado por outros Robinson Crusoé, que não querem encontrar ninguém, são jovens traumatizados pelo encontro”, argumenta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os interditos fundamentais aos seres humanos, ao serem negados, custam um alto preço para o belga. Da negação do interdito do assassinato, surge uma violência sem direção, generalizada, de um indivíduo que já não sabe mais do que se queixa. “Temos que fazer uma leitura destes sujeitos como apelos mudos por alguém que os tirem deste impasse”, mostra o psicanalista, enfatizando seu papel como profissional da área, e segue: “O discurso do laço social como é promovido hoje, livre do lugar de exceção, provoca uma grande confusão. As trocas humanas não podem entrar no campo das trocas comerciais, pois não podem se livrar das características fundamentais aos homens. Ao negarmos o lugar de diferença, criamos a dificuldade de estarmos diante de alguém que não quer o mesmo que nós. Como teremos o lugar de exceção para optarmos pela decisão final?”, questiona, trazendo a simples situação de um casal que deseja viajar. Se um preferir ir para o campo e o outro para a praia, sem lugar de diferença, dentro da esfera de negação dos limites, não haverá parâmetros para escolhas e inevitavelmente chegaremos a incessantes conflitos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para concluir a palestra, Jean-Pierre Lebrun aponta a importância dada à televisão quando utilizada como subterfúgio para escapar de possíveis discussões, uma realidade européia nem tão distante da brasileira. “Hoje impedimos os conflitos evitando que o sujeito analise seu próprio lugar. Por exemplo, na Europa, 60% dos jovens têm televisão em seus quartos. É um modo eficaz de evitar o conflito na família na hora de optar pelo programa. Cada jovem poderá ser um Robinson Crusoé sozinho em seu quarto. Os pais livram as crianças do confronto com o Outro – logo na fase em que alguém deve ajudá-los a controlar suas pulsões mortíferas, justamente aí há este abandono. Como um adolescente que escapou deste trabalho de elaboração das atividades de construção da psique pode reagir? Só lhe resta jogar-se pela janela, ou seja, resolver a violência de forma mais violenta ainda”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O homem sem fronteiras de Melman&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dialogando com a primeira exposição do colega, &lt;strong&gt;Charles Melman&lt;/strong&gt; iniciou expondo a angústia natural de um homem que nasce livre das regras de conduta e precisa construir seu comportamento. Preso nos confrontos com outros homens e no direito natural, que estabelece mais leis intrínsecas à humanidade, ele se obriga a pensar as restrições do bem e do mal, do correto e do injusto. Frente ao que os gregos denominaram temperância – a moderação do comportamento instintivo animal, ou a regulação do impulso selvagem –, este homem não pode mais permitir a totalidade do gozo, “pois o que o diferencia dos outros animais é justamente a medida”, ilustra o psicanalista. “Com origens numa espécie de direito que vem aniquilar a humanidade com base na autoridade divina, esta moderação, ou recalcamento do desejo como norma social, é a causa das neuroses”, completa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Seguindo a explicação da corrente freudiana, Melman esclarece que a renúncia ao gozo, a qual Lebrun já havia citado, implica a neurose. Através do tratamento analítico, Freud percebe que “o paciente descobre que seu gozo estava organizado pela perda de seu objeto mais caro – no complexo de Édipo –, o limite de poder livremente passar ao gozo sexual. Com a perda deste objeto essencial e sem o reconhecimento desta instância guardiã limite, que é a mãe, ele não mais se fixa em projeções”, relata o especialista, que conclui o raciocínio explicando que as patologias psiquiátricas surgem ao negar este limite natural ao homem, ao recusar esta fronteira da linguagem constitutiva e à qual ele está inevitavelmente exposto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segundo Melman, a linguagem é um sistema de códigos similar à lógica estudada pelos gregos e traz a certeza de uma falha central, a impossibilidade de responder todas as questões que ela mesma levanta, como já propôs o matemático alemão Kurt Gödel e seu “Teorema da Incompletude”. Da tentativa de escapar deste limite, surgem as patologias, como explica: “A linguagem é um sistema impreciso e inadequado. Se eu tiver acesso a uma língua precisa, mergulho num sistema patológico de pensamento infinito, que é a paranóia. A bulimia e a anorexia, porém, são uma tentativa de possuir e incorporar este limite”, finaliza.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O segundo conferencista termina a noite apontando a importância de pensarmos as fronteiras que têm como objeto um novo homem e uma nova realidade que, para Charles Melman, é “esse mundo onde nada mais parece impossível, onde tudo é permitido। É possível que isso seja equivalente à suspensão do pensamento. Carecemos de pensamento há anos. Esperamos que aqueles que intitulamos pensadores nos dêem meios de compreender os fenômenos que nos arrastam, de nos suprir com a diferença que parece surgir deste pensamento, deste pensamento feroz”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;दो ब्लॉग http://backstagenet.hospedagemdesite.com/fronteiras/blog/?m=200705&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-size: 9px;"&gt;Conferência ministrada em 15/05/2007.&lt;/p&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-2815530531303369954?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/2815530531303369954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/freud-explica.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2815530531303369954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2815530531303369954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/09/freud-explica.html' title='Freud explica?'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-4006666883437312970</id><published>2008-08-23T20:10:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T20:14:11.384-07:00</updated><title type='text'>Para refletir...</title><content type='html'>"muita coisa nos diverte, mas o que vale sao as experiências que nos transformam"&lt;br /&gt;                                                                                                                             Wim Wenders&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-4006666883437312970?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/4006666883437312970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/08/para-refletir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4006666883437312970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4006666883437312970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/08/para-refletir.html' title='Para refletir...'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-3648461470652939457</id><published>2008-08-17T16:11:00.000-07:00</published><updated>2008-08-17T16:13:48.447-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suicídio;adolescencia;psicanalise'/><title type='text'>"Há um centro de valorização da morte na internet"</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O psicanalista afirma que é preciso punir aqueles que incitam os internautas fragilizados ao suicídio&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ELIANE BRUM &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uCeZEupqEMY/R8csop3LKlI/AAAAAAAAAB0/76_62kLCX3w/s1600-h/mario.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172151774001965650" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uCeZEupqEMY/R8csop3LKlI/AAAAAAAAAB0/76_62kLCX3w/s200/mario.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O psicanalista Mário Corso só aceitou dar esta entrevista porque tem convicção de que Vinícius Gageiro Marques, o Yonlu, foi vítima de um crime. E por que esse crime, praticado nas “ruas escuras da internet”, segue levando adolescentes frágeis à morte. Foi uma decisão difícil. Corso era o psicanalista do garoto de 16 anos que se suicidou ao se trancar no banheiro com duas churrasqueiras em chamas em julho de 2006. Seu paciente planejou a própria morte com a ajuda de sites na internet e a transmitiu em tempo real, incentivado por participantes de um chat. Quando Corso chegou ao apartamento da família, em Porto Alegre, Yonlu já estava morto. É terrível para qualquer pessoa falar sobre a perda de uma vida. E é preciso muita coragem para um psicanalista submeter-se à tremenda exposição que é falar sobre a perda de um paciente. Depois de conversar com a mulher, a também psicanalista Diana Corso, e as duas filhas, ele aceitou dar entrevista a Época em nome do interesse público. Mário Corso acredita que é preciso caçar aqueles que incitam pessoas ao suicídio, encobertos covardemente pelo anonimato da rede. Ao longo da entrevista de mais de duas horas, em seu consultório na capital gaúcha, a dor do psicanalista era exposta. A da família também. Sua mulher ligou três vezes para saber se ele estava bem. Diana tinha razão para preocupar-se. A taquicardia era perceptível, em muitos momentos ele ficava ofegante, a voz quase sumia. Mário Corso sofria. Não só porque doía falar sobre algo tão brutal, mas também porque ele sente saudades de Yonlu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;QUEM É Mário Corso:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Psicanalista, casado, tem duas filhas e 48 anos. Nasceu em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. É professor e membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa) O QUE PUBLICOU Monstruário (Tomo Editorial) e Fadas no Divã (Artmed), em co-autoria com sua mulher, a psicanalista Diana Corso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Por que você aceitou dar essa entrevista?&lt;br /&gt;Mário Corso – Porque esses suicídios seguem acontecendo, incitados por pessoas na internet, pessoas que não sabemos quem são e que não são responsabilizadas pelo que fazem com adolescentes, pelo que dizem a pessoas fragilizadas. Decidi dar essa entrevista porque isso é um crime e precisa parar. Temos um CVV, Centro de Valorização da Vida. E na internet há um CVM, Centro de Valorização da Morte. Talvez a gente nem saiba sobre outros suicídios que aconteceram por aí, que tiveram como fator decisivo algum tipo de CVM. Essas coisas não são tão fáceis de saber. Mas precisamos ter com essas pessoas a mesma preocupação que temos com outros criminosos. Já existe uma preocupação grande com a pedofilia, uma caça aos pedófilos na internet. Eu decidi dar esta entrevista porque acho que a gente tem de caçar essa gente também. Antes que eles matem mais. Eu acho que temos de aprender a lidar com o fator mórbido da internet, que são esses grupos de auto-ajuda que servem para não deixar de ficar doente, para não deixar de usar drogas, para não parar com a bulimia, com a anorexia. E temos de aprender a lidar com essa gente covarde que diz a um adolescente para se matar. A gente tem de criar formas de responsabilizar quem faz esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Na carta que deixou aos pais, Vinícius escreveu que você poderia ajudá-los a entender as razões do suicídio. Por que ele se suicidou?&lt;br /&gt;Corso – Esse menino estava numa crise prolongada de angústia. Não foi a primeira tentativa de suicídio dele. Ele já havia tido crises anteriores que conseguiu contornar. Uma vez ele se sentou na beira da cobertura e me ligou. A gente ficou falando um bocado de tempo sobre se valia a pena pular ou não. E ele não pulou. Ele precisava ouvir a voz de alguém que o lembrasse da sua ligação com a vida, dos laços que tinha com os que o rodeavam. Não havia uma outra voz dizendo para ele pular. E acredito que isso fez toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – A internet parece tê-lo auxiliado no suicídio em dois momentos: nos sites que ensinavam métodos de tirar a própria vida e nos chats em que ele discutia seu desejo de se suicidar. Na hora do suicídio ele escreveu no chat que estava se suicidando e pediu ajuda porque não suportava o calor das chamas. Neste momento, o que essa voz na internet representou? Corso – O que a internet faz é dar suporte a uma idéia. Namorar a idéia do suicídio é uma coisa que muita gente faz, é fantasia comum na adolescência e visitante freqüente dos desesperados. Chegar à beira de se matar também é algo que ocorre muito mais do que se admite publicamente, mesmo com pessoas que estão bem acompanhadas na vida, que possuem vínculos sólidos. Mas poucos chegam a se matar. Na hora, falta uma energia extra. Há uma força vital que nos segura no último momento. Essa força que nos prende ao grupo, às outras pessoas, ao quanto os outros gostam da gente e ao quanto nós gostamos dos outros. Isso tece uma rede, uma teia que nos suporta na vida. Muitas vezes, quando o sangue aparece nos pulsos cortados, as pessoas acordam do seu transe mortífero e pedem ajuda. Para dar esse último passo, se suicidar, é preciso de um desespero, de uma desesperança muito forte ou de alguém que te puxe para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – A polícia entendeu que não existem provas de incitamento ao suicídio, portanto não houve crime. O que você acha?&lt;br /&gt;Corso – Eu acredito que para o Vinícius foi absolutamente decisivo o fato de alguém cortar essa teia que o prendia à vida. Ele brincava com a idéia de morrer como uma saída para as crises de angústia e desespero. Mas tinha laços fortes com a vida que podiam resgatá-lo. Sem aquele último estímulo ele não teria tido coragem para se matar, como não teve das outras vezes. Talvez a polícia tenha se sentido impotente frente ao tamanho da tarefa a fazer. Porque realmente seria muito difícil encontrar e responsabilizar essa gente. Sentiram-se impotentes e chegaram a essa conclusão brilhante. Que o culpado era o suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Por que ele se suicidou de uma forma “assistida”? Ele chegou inclusive a botar uma foto das churrasqueiras com fogo na internet. O que significou esse suicídio ao vivo pela internet? Corso – Ele é de uma geração que se criou dentro da internet. Essa é a questão que foi subestimada por mim – e eu não posso falar por eles, mas talvez tenha sido subestimada pelos pais também. Com 11 anos ele freqüentava grupos de discussão onde se apresentava tendo 26. E ele passava por 26 anos. Esse menino era superdotado, extraordinariamente inteligente, e cresceu numa família muito estimuladora, intelectualmente rica, com um pai e uma mãe muito cultos. Ele sugou essa cultura rapidamente. O Vinícius herdou do pai a profundidade política, social, e da mãe a perspicácia emocional. Tinha o que poderíamos chamar de excesso de lucidez. Mas sem condições de suportar essa carga por causa da pouca idade. Era um menino que tinha uma capacidade de compreender profundamente o mundo, mas não tinha a consistência emocional para dar conta do que via, do que decodificava. Reduzido a si mesmo, via-se deformado, feio, pequeno. Ele tinha uma hipersensibilidade ao mundo que lhe fazia bastante mal. Como se ele vivesse um pouco o noticiário, o mundo como ele acontece. Era uma caixa de ressonância do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Isso significa que ele era mais afetado pelas grandes tragédias do mundo ou pelas pequenas misérias ao seu redor?&lt;br /&gt;Corso – Ele sofria com a brutalidade do mundo. Este era um tema caro para ele: sofria vendo as pessoas sendo humilhadas, sofria com a hierarquia. Ele tinha uma compreensão hiperbólica do mundo. Era como se para ele a escravidão não tivesse acabado no Brasil. Ele ficava imaginando como era a vida da empregada, do porteiro. Ele fica tentando imaginar como essa vida era e como eles cabiam nessa vida que ele achava pequena e estreita. E como sofriam por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Ao mesmo tempo, ele é descrito por algumas pessoas do colégio como alguém que não se relacionava muito com os outros, alguém que se dava bem com todo mundo e ao mesmo tempo com ninguém, que vivia numa espécie de mundo próprio.&lt;br /&gt;Corso – Houve várias fases dele. Ele teve dois tratamentos comigo. O primeiro foi iniciado quando ele tinha 11 anos. Ele me procurou por uma certa fragilidade que tinha. Já tinha esse desencaixe, essa precocidade extraordinária. É difícil viver numa sala de aula quando você entende muito o que está acontecendo. Imagina se você fosse adulta e tivesse de voltar para o primeiro ano. Aqueles empurrões e cotoveladas, aquelas maldadezinhas. Ele estava sempre um pouco à frente do seu tempo e isso fazia diferença para os colegas dele. Ele ficou comigo dos 11 aos 13 anos na primeira vez. Fez progressos muito importantes e saiu bem. Nessa época ele se aproximou muito do pai e ficou mais extrovertido. Melhorou também na sala de aula, ficou mais popular, ganhou até um apelido, Pipoca. Eu tinha notícias esparsas dele e ele estava bem. Em 2004 foi um período ótimo, em 2005 não foi tão bom e ele retornou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Desde quando você sabia que havia risco de suicídio e que tipo de providência foi tomada?&lt;br /&gt;Corso – Eu soube desde o começo. Ele disse na primeira vez que me procurou que havia pensado em se matar. Isso no segundo tratamento. Eu mantive isso comigo até sentir que a situação poderia escapar das minhas mãos. Então eu comuniquei aos pais. E nós combinamos que ele ficaria em internação domiciliar. Nesses casos sempre há alguém com o paciente, ele não fica sozinho em momento algum. Os pais já tinham desconfiança sobre isso, entenderam logo e passaram a não desgrudar dele. Mas enquanto a gente cuidava dele, tinha alguém que puxava ele para baixo. Aí entrou o fator extra, que nós desconhecíamos. Não sabíamos que ele tinha alguém que o incentivava a achar que a vida não vale a pena. Ele havia me dito que entrava na internet para ver formas de suicídio, a gente discutiu muito sobre os suicídios que estavam ocorrendo no Japão. Mas eu não sabia que ele discutia abertamente o valor da sua própria vida na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Ele era depressivo? Usava algum tipo de medicação?&lt;br /&gt;Corso – Não usava. E eu não vejo razão para classificações aqui. Isso não é relevante para essa discussão ou para o público que está lendo a revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Por que ele dizia que queria se matar?&lt;br /&gt;Corso – Ele não falava que queria se matar. Ele falava que era impossível viver, que não se sentia com forças para viver, o que é um pouco diferente de ter vontade de morrer. Ele tinha uma vontade de desaparecer, de que algo cessasse a dor constante que ele sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Época - Há quanto tempo ele estava nessa internação domiciliar?&lt;br /&gt;Corso – Começou dois meses antes do suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Vocês sabiam que havia risco de suicídio, você e a família estavam cuidando dele, mas ao mesmo tempo havia um outro enredo se desenrolando a partir da internet, dentro de um mundo virtual. Como é isso?&lt;br /&gt;Corso – Este foi o erro, o engano. Subestimar o papel da internet. Eu uso a internet, mas eu não a habito, eu não moro dentro da internet. Tem gente que mora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Ele morava dentro da internet?&lt;br /&gt;Corso – Ele habitava nela. Não vamos achar que a internet é uma coisa ruim a priori. Ele construiu a obra dele na internet, a troca de músicas que resultou no disco interessante que ele fez foi graças à internet. A internet pode ser extraordinariamente interessante, ela possibilita encontros que não estavam colocados antes. É o paraíso dos solitários, das pessoas tímidas. Tem proporcionado a construção de laços entre pessoas distantes. Agora, por outro lado, a internet possibilita também o contato de outro tipo de coisa que nunca aconteceria sem ela. A internet não criou nenhum tipo de doença mental, todas elas pré-existiam. Mas ela possibilita o incremento de certas morbidades por uma possibilidade de compartilhar e, a partir disso, criar uma identidade. Um exemplo é o que acontece com a anorexia, uma doença gravíssima, muitas meninas morrem disso. Antes da internet, uma não encontrava a outra. Com a internet o que elas conseguem? Trocam idéias sobre a anorexia não no sentido da auto-ajuda, mas da manutenção da patologia. E da glamourização dela. Encontram alguém que as apóia em permanecer nessa atitude doentia, a construir uma identidade a partir dela. Outro exemplo: imagina um sujeito pedófilo numa cidadezinha no interior onde provavelmente ele era o único pedófilo. Antes ele era uma aberração aos olhos da comunidade e dele mesmo. Na medida em que ele consegue compartilhar isso com outras pessoas na internet e descobre que há um monte de gente como ele, isso faz com que tenha coragem de se pensar enquanto grupo. Não como doente, mas como um estilo. A internet possibilita uma série de coisas extraordinárias, mas também uma série de coisas doentias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – E como isso funciona no caso do suicídio?&lt;br /&gt;Corso – A internet tem de tudo, mas ela ainda é muito fraca e medíocre no seu conteúdo. Com exceções, ela é muito tola, não tem profundidade para quase nada. Ela é o livro de areia que o (Jorge Luis) Borges imaginou, mas sem profundidade, onde uma página não tem nada a ver com a outra. Vale lembrar que, no conto, ele ficou horrorizado e abandonou o livro. É isso que não devemos fazer. Um dos problemas da internet é também que a nossa geração não está lá da mesma maneira, não tem uma geração anterior a que está na internet. Ainda não há uma tradição ali dentro, a internet é raramente habitada por pessoas com um pouco mais de maturidade. Os jovens estão muito sós nesse mundo virtual, meio entregues à própria sorte. Então, além de empobrecedor, o ambiente é também mais frágil e mais perigoso pela falta de adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – E o que podemos fazer? Nós vivemos numa espécie de esquina histórica. Os pais de hoje pertencem à geração que só conheceu a internet depois de adultos. Seus filhos habitam a internet desde a infância. Os pais vêem os filhos dentro do quarto, sentados, sozinhos, digitando no computador, e ficam tranqüilos porque não poderiam estar mais seguros: dentro de casa e sozinhos. Mas naquele momento os filhos estão no mundo, sujeito a pedófilos e perversos de todo o tipo, e sem pai nem mãe. Mesmo os pais que conhecem os riscos estão impotentes porque não dominam os códigos desse mundo virtual. Provavelmente quando essas crianças e adolescentes forem pais, esse gap geracional, pelo menos no sentido da internet, não vai mais existir. Mas hoje, agora, o que podemos fazer?&lt;br /&gt;Corso – Eu resolvi dar essa entrevista para que se comece uma discussão sobre isso. Não acredito em controle, acho que a internet é incontrolável. É algo como tentar proibir o papel. É inócuo, inútil, estúpido. Mas ela está aí e a gente vai ter de inventar formas para lidar com isso. Acho que o único jeito é a velha teoria de sempre. Se você quer cuidar de seus filhos, fique perto deles, tenha consciência do abismo que separa as gerações na forma de se relacionar com esse meio de comunicação. Procure dialogar com eles sobre o que ocorre também em seu mundo virtual. Para a nossa geração não está ocorrendo nada sério ali, mas para os mais jovens amores, destinos e até a vida e a morte podem estar sendo decididos na internet. Essa diferenciação entre o real e o virtual não é tão radical para eles. Há um portal em que eles transitam, lá onde nós somente vemos uma linha divisória, uma parede. É como a TV. A TV pode ser muito nefasta se ela for a única via de acesso ao conhecimento de uma criança. Mas se ela ficar diluída com a escola, com os pais, ela é um estímulo a mais. Quem vai ficar mais exposto à internet é quem tem menos laços reais com o mundo, quem constrói laços prioritariamente virtuais. O Vinícius estava num momento de muita fragilização com o mundo. Então ele se voltou para a internet. Embora ele também sofresse na internet, nos grupos de discussão. Não era uma vida fácil nem no mundo virtual. Mas a internet é um bom mundo para quem tem problemas com o corpo. O corpo não está ali, ali é só a palavra. Para quem é só corpo a internet não funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Por que você acha que alguém faz um site de suicídio, com métodos para tirar a própria vida? É possível construir um perfil desse tipo de pessoa?&lt;br /&gt;Corso – É gente doente que exerce sua morbidez, seu sadismo. Eu acredito que deve ter algum grau de sinceridade nessa negatividade do mundo. O problema é que eles não sabem com quem estão falando. Não têm consciência da fragilidade das pessoas. Esse é o drama da internet. Acho que nenhum adulto conseguiria chegar para um adolescente e dizer, cara a cara: a vida não vale a pena, te mata. A internet tem um valor moderno importante que é a abolição das diferenças. Todo mundo tem o mesmo peso lá dentro. Então as opiniões mórbidas, idiotas, têm um peso muito grande também. Não há uma hierarquia de informação, vale tudo. Acho que estamos num período inicial da internet, que talvez seja o período mais pobre, onde você pode encontrar uma opinião séria ao lado de grandes besteiras. Para certos medíocres é um paraíso, porque lá é o único lugar em que sua voz é ouvida. Por exemplo, para cada site careta, mal escrito, falando que drogas trazem problemas, você encontra uma centena de depoimentos glamourizando as drogas. Ou seja: você perde de goleada. Talvez a questão seja entrar na internet para dizer o que achamos sobre algumas questões, com uma linguagem e um conteúdo consistente. Precisamos aprender a usar a internet, habitá-la. Talvez a gente tenha de andar nessas ruas escuras. Talvez este seja um movimento necessário. Talvez não dê para esperar pela geração seguinte. Talvez tenhamos de entrar para ajudar quem está lá. A nossa falta de saber técnico de entrar não desqualifica toda a outra sabedoria que a vida nos deu para sair destas ciladas mais banais que a internet coloca. Na verdade os discursos sobre estas coisas são muito bobos, são filosoficamente muito pobres. Você não encontra um (Albert) Camus falando sobre suicídio. Só encontra idiotas falando sobre suicídio. Aliás, a gente poderia perguntar para esses sujeitos: “já que a morte é tudo de bom, por que você não se mata antes?” Acho que essa pessoa faria bem menos falta ao mundo do que o Vinícius.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Você diz que subestimou o papel da internet. Mas sabendo o que sabe hoje, se tivesse um paciente exatamente igual ao Vinícius, o que você poderia fazer?&lt;br /&gt;Corso – Eu acho que um psicanalista, às vezes, tem de andar de mão com o paciente no inferno. Só que eu não sabia da totalidade desse inferno. Acho que se eu soubesse eu teria ido lá junto. Teria vivido nessa comunidade. Era preciso ter entrado, ou eu ou a família dele, nesses sites, nesses chats. Era preciso ter ido atrás dele. Nós achávamos que ele estava bem cuidado. Que naquele momento de crise mais aguda ele estava sob a nossa influência. Mas tinha um inimigo na trincheira que a gente não enxergou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Esse tipo de pessoa manipula que tipo de sentimento num adolescente?&lt;br /&gt;Corso – De uma forma simplificada, banal e rasteira, a idéia de suicídio é uma idéia de negação do mundo. É fácil, portanto, tentar vender a idéia de aliar o suicídio a uma recusa radical do mundo. E essa recusa radical do mundo é em si um pouco simpática. Desse mundo que está aí fora, que não fui eu que fiz, eu não quero saber. Ele está todo errado. Eu recuso ele em bloco, eu vou-me embora. Dessa idéia inicial, que tem um aspecto até um pouco contestatório, interessante, para um passo mórbido, não há muita distância. É isso que começa a fascinar alguns jovens. E acontece num momento da vida em que para crescer é preciso sair do olhar dos pais. Além disso, não vivemos um bom momento civilizatório. Há uma geração que está se criando sem utopia e sem religiões. É complicado. As religiões dão razões para estar no mundo, critérios do modo correto de fazê-lo, embora o preço seja uma alienação muito grande. As utopias também. Mas a ausência delas pode ser bastante dura para um adolescente. Um adolescente se dá conta da sordidez e da dureza do mundo e praticamente não encontra muitas razões para entrar na arena. Uma psicanalista francesa, Françoise Dolto, falava da adolescência como “complexo da lagosta”, porque estes animais soltam a carapaça para poder crescer e secretar uma nova carapaça. Enquanto isso ocorre eles estão vulneráveis, desprotegidos. O adolescente é mais ou menos assim. Há um momento da vida que para poder crescer a gente perde as defesas momentaneamente até constituir novas. E é nesse momento de enorme vulnerabilidade que este “por que não se mata” é escutado como uma grande sugestão. O que é dito nesses sites é que vale a pena morrer. E o que nos mantêm vivos às vezes é mais tênue do que a gente imagina. O que nos mantêm vivos é uma rede de pessoas que dependem de nós e que a gente depende delas. Uma rede amorosa, afetiva, de compromisso. Essa rede de suicídio é uma outra rede, que diz que não precisa estar aqui. Ela faz um contraponto a este coletivo que diz “viva”. É um coletivo que diz “morra”. O Vinícius precisou de ajuda para se suicidar. E essa voz foi muito sedutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Você acha que ele gostaria desse CD lançado no mundo real?&lt;br /&gt;Corso – Eu tenho certeza. Ele tinha toda uma dinâmica de busca de reconhecimento e é isso que o CD significa. Postumamente ele conseguiu o lugar no mundo real pelo qual tanto brigava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Ele deixou o CD como legado?&lt;br /&gt;Corso – Creio que esse mérito é dos pais dele. O CD não estava organizado. Eu mesmo tinha algumas músicas no meu computador. Foi o pai que organizou o CD e o fez com a ajuda de alguns amigos. Este CD é um re-encontro do pai dele com ele e acho bem corajoso o que ele está fazendo. A resposta mais comum nesses casos é a depressão e o apagamento, o esquecimento do filho. Eu vi tantos casos em que os filhos são cortados das fotos, como se nunca tivessem existido, como se estes pais nunca tivessem passado por isso. Acho que é uma atitude digna, corajosa, bem-vinda para o Vinícius, para os pais, para a música, para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Perder um paciente deve ser terrível. É uma sensação de fracasso?&lt;br /&gt;Corso – É uma sensação completa de fracasso, que coloca em xeque tudo o que a gente pensou e estudou. A gente segue falhando, mais do que gostaria, mais do que aprende a admitir. Então é mais uma derrota. Mas nem todas as derrotas são tão catastróficas como essa. E quando isso acontece a missão não terminou, porque temos que cuidar de quem ficou. A gente está arrasado, mas o jogo não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Como foi viver essa situação?&lt;br /&gt;Corso – Foi pior depois. Eu tenho um ar-condicionado no cérebro para questões de emergência. Depois é que vem o rebote. Eu tinha de suportar, eu tinha de ajudar os pais. Se eu estava arrasado, imagina como eles estavam. Eles também estavam destruídos, mas numa outra potência. Eu tenho uma filha da idade do Vinícius e consigo me colocar no lugar deles, consigo imaginar o tamanho do rombo que essa morte deve ter feito. E há um grau de responsabilidade nisso. Era eu que estava ali. E eu falhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Mas há um limite...&lt;br /&gt;Corso – Sim, há um limite, há uma onipotência. A gente não pode ganhar todas, curar todos. Mas era eu que estava lá quando a coisa não funcionou. E isso é duro. Se os pacientes não são um número, isso é muito duro. O Vinícius era um paciente diferente. Como ele era extraordinariamente inteligente, ele dizia coisas desconcertantes, que nem todas as pessoas conseguem nos dizer. Então fazia uma marca. Era um desafio analisar o Vinícius. Como é que você consegue passar o valor da vida para um sujeito muito inteligente, sem ser piegas? Eram discussões praticamente filosóficas sobre o valor da vida. Eu tenho saudades dele. Durante meses eu pensava no Vinícius todos os dias. Em algum momento do dia me vinha algo que ele tinha falado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Em algum momento deu vontade de desistir de ser analista?&lt;br /&gt;Corso – Sim. E não só por causa dele. Um analista é um sujeito que tem de ter uma dose extra de resistência à frustração para suportar sua própria impotência. É muito difícil mudar as pessoas. Mesmo quando elas precisam desesperadamente disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – E por que você nunca desistiu?&lt;br /&gt;Corso – Por que ainda não senti que inventaram algo melhor que a psicanálise. Tem aquela frase do (Winston) Churchill que eu gosto muito, em que ele diz que a democracia é a pior forma de governo excetuando todas as outras. Pois a psicanálise é a pior forma de terapia excetuando todas as outras. Se os nossos resultados são parcos, eles ainda são melhores que todos os outros, são mais humanos. A verdade é que a gente vive num estágio curioso da civilização. A gente tem conquistas tecnológicas extraordinárias, avanços, mas as ciências que cuidam do homem são muito precárias nas suas ferramentas de análise, de resolução de problemas no âmbito pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÉPOCA – Mudou seu jeito de lidar com a internet?&lt;br /&gt;Corso – Mudou. Eu tenho tentado aprender com as minhas filhas e com meu genro a entrar mais, saber como é esse mundo e como ele funciona. Mudou muita coisa. Eu tenho de conviver com um buraco dentro de mim, como com qualquer perda que a gente tem. Os psicanalistas apanham bastante. E algumas cicatrizes são para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte da entrevista: Revista Época - &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.epoca.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;www.epoca.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-3648461470652939457?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/3648461470652939457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/08/h-um-centro-de-valorizao-da-morte-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3648461470652939457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3648461470652939457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/08/h-um-centro-de-valorizao-da-morte-na.html' title='&quot;Há um centro de valorização da morte na internet&quot;'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uCeZEupqEMY/R8csop3LKlI/AAAAAAAAAB0/76_62kLCX3w/s72-c/mario.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-2082109215955511708</id><published>2008-08-06T08:37:00.000-07:00</published><updated>2008-08-06T08:49:49.301-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olhar;inveja;psicanalise;literatura'/><title type='text'>UM olhar A MAIS...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SJnGA8R5K1I/AAAAAAAAAF0/JPxiH1FalFs/s1600-h/tereza%5B2%5D.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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psicanalise;amor;paixão'/><title type='text'>Amores herdados[1]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Iza Maria de Oliveira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;O que herdaste de teus pais&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Adquire, para que o possua. (Goethe)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Somos herdeiros do amor-paixão romântico, tal como foi concebido no romantismo. Esta herança é relativa a um núcleo amoroso fortemente inscrito nas subjetividades contemporâneas. É certo que ocorreram alterações, no transcorrer do tempo, nas configurações amorosas desde aquele movimento cultural e artístico, inaugurado pela cultura européia do século XIX, que cria a noção de amor romântico como um sentimento profundo, misterioso, nobre e sublime, contendo um objeto idealizado e sua realização se efetivando no plano do individual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;É importante situar isso, pois a noção de amor romântico é historicamente construída e relacionada a uma estrutura social e cultural estabelecida. O psicanalista Jurandir Costa, em seu livro, “Sem fraude, nem favor: estudos sobre o amor romântico” (Rocco, 1999), refere que aquele amor é um complexo emocional profundamente enraizado em nossa cultura. Para ele, poucas pessoas são capazes de duvidar da "universalidade" e da "naturalidade" deste amor culturalmente oferecido como algo sem o que nos sentiremos profundamente infelizes. Assim, sugere que uma crítica à idealização do amor-paixão romântico, para existir chances de propor uma vida sexual, sentimental ou amorosa mais livre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Neste `núcleo amoroso` herdado se encontra o ideal de um amor bem sucedido, em que comporta uma idealização no objeto amoroso. Ou seja, que o parceiro amoroso responda às expectativas e satisfações do sujeito. Para essa configuração, Freud atribuiu um componente narcísico das relações amorosas. Um dos impasses nos laços conjugais se refere a uma demanda voraz no formato de um imperativo cultural de satisfação absoluta na vida afetiva e erótica. O reverso disso é, na maioria dos casos, uma frustração que pode se estender, imaginariamente, a outras instâncias da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h1 style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt;Reinventar versões do amor parece ser a função em nossos tempos, pois como indica Jurandir Costa, o modo de amar no romantismo é só um entre os possíveis. E se o ideal do amor bem sucedido já não encontra suporte na realidade afetiva dos sujeitos modernos, é possível sofrer menos quando não se pode amar conforme o figurino romântico, operando com outras premissas no laço amoroso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"&gt;Desta forma, numa referência à citação (e tradução) de Goethe, &lt;span style=""&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"&gt;Aquilo que herdastes de teus pais, conquista-o para fazê-lo seu"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"&gt;, indica a possibilidade de reinvenção desta herança do amor romântico. Pois, “Adquirir” não remete a um usufruir desmensurado, tampouco a uma posição passiva diante de um legado. O herdeiro perspicaz não é aquele que tenta perpetuar um mandato de idealização. Um “herdeiro legítimo” tem, portanto, esta difícil missão de reinventar a partir de um legado. Neste caso, um legado do amor-paixão romântico.&lt;/span&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt; Publicado na Coluna, “Descronificando”, Jornal &lt;i style=""&gt;Hora H&lt;/i&gt;, 13 de junho de 2008.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-4431910641012090999?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/4431910641012090999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/amores-herdados1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4431910641012090999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4431910641012090999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/amores-herdados1.html' title='Amores herdados[1]'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6350326068919526484</id><published>2008-06-29T13:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-29T13:55:56.820-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor;psicanalise;calligaris'/><title type='text'>Amores silenciosos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;CONTARDO CALLIGARIS &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;table style="text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;" width="250"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td&gt; &lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;A gente se declara apaixonado porque está apaixonado ou pelo prazer de se  apaixonar? &lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;FAZER E RECEBER declarações de amor é quase sempre prazeroso. O mesmo vale,  aliás, para todos os sentimentos: mesmo quando dizemos a alguém, olho no olho,  "Eu te odeio", o medo da brutalidade de nossas palavras não exclui uma forma  selvagem de prazer.&lt;br /&gt;De fato, há um prazer na própria intensidade dos  sentimentos; por isso, desconfio um pouco das palavras com as quais os  manifestamos. Tomando o exemplo do amor, nunca sei se a gente se declara  apaixonado porque, de fato, ama ou, então, diz que está apaixonado pelo prazer  de se apaixonar.&lt;br /&gt;Simplificando, há duas grandes categorias de expressões:  constatativas e performativas.&lt;br /&gt;Se digo "Está chovendo", a frase pode ser  verdadeira se estamos num dia de chuva ou falsa se faz sol; de qualquer forma,  mentindo ou não, é uma frase que descreve, constata um fato que não depende  dela.&lt;br /&gt;Se digo "Eu declaro a guerra", minha declaração será legítima se eu  for imperador ou será um capricho da imaginação se eu for simples cidadão; de  qualquer forma, capricho ou não, é uma frase que não constata, mas produz (ou  quer produzir) um fato. Se eu tiver a autoridade necessária, a guerra estará  declarada porque eu disse que declarei a guerra. Minha "performance" discursiva  é o próprio acontecimento do qual se trata (a declaração de guerra).&lt;br /&gt;Pois  bem, nunca sei se as declarações de amor são constatativas ("Digo que amo porque  constato que amo") ou performativas ("Aca- bo amando à força de dizer que amo").  E isso se aplica à maioria dos sentimentos.&lt;br /&gt;Recentemente, uma jovem, por  quem tenho estima e carinho, confiava-me sua dor pela separação que ela estava  vivendo. Ao escutá-la, eu pensava que expressar seus sentimentos devia ser, para  ela, um alívio, mas que, de uma certa forma, seria melhor se ela não falasse.  Por quê?&lt;br /&gt;Justamente, era como se a falta do namorado (de quem ela tinha se  separado por várias e boas razões), a sensação de perda etc. fossem  intensificadas por suas palavras, e talvez mais que intensificadas: produzidas. &lt;br /&gt;É uma experiência comum: externamos nossos sentimentos para vivê-los mais  intensamente -para encontrar as lágrimas que, sem isso, não jorrariam ou a  alegria que talvez, sem isso, fosse menor. Nada contra: sou a favor da  intensidade das experiências, mesmo das dolorosas. Mas há dois problemas.&lt;br /&gt;O  primeiro é que o entusiasmo com o qual expressamos nossos sentimentos pode  simplificá-los. Ao declarar meu amor, por exemplo, esqueço conflitos e nuances.  No entusiasmo do "te amo", deixo de lado complementos incômodos ("Te amo, assim  como amo outras e outros" ou "Te amo, aqui, agora, só sob este céu") e  adversativas que atrapalhariam a declaração com o peso do passado ou a urgência  de sonhos nos quais o amor que declaro não se enquadra.&lt;br /&gt;O segundo problema é  que nossa verborragia amorosa atropela o outro. A complexidade de seus  sentimentos se perde na simplificação dos nossos, e sua resposta ("Também te  amo"), de repente, não vale mais nada ("Eu disse primeiro").&lt;br /&gt;Por isso, no  fundo, meu ideal de relação amorosa é silencioso, contido, pudico.&lt;br /&gt;Para  contrabalançar os romances e filmes em que o amor triunfa ao ser dito e redito,  como um performativo que inventa e força o sentimento, sugiro dois  extraordinários romances breves, de Alessandro Baricco, o escritor italiano que  estará na Festa Literária Internacional de Parati, na próxima semana: "Seda" e  "Sem Sangue" (ambos Companhia das Letras).&lt;br /&gt;Nos dois, a intensidade do amor  se impõe com uma extrema economia de palavras ("Sem Sangue") ou sem palavra  nenhuma ("Seda"). Nos dois, o silêncio permite que o amor vingue -apesar de ele  não poder ser dito ou talvez por isso mesmo.&lt;br /&gt;No caso de "Seda": te amo em  silêncio porque te encontro ao limite extremo de uma viagem ao fim do mundo,  indissociavelmente ligada a um outro, e nem sei falar tua língua.&lt;br /&gt;Você me  ama em silêncio porque sou outro: uma aparição efêmera, uma ave migrante.&lt;br /&gt;No  caso de "Sem Sangue": te amo, e não há como falar disso porque te dei e te tirei  a vida. E você me ama pelas mesmas razões pelas quais poderia e deveria querer  me matar (os leitores entenderão).&lt;br /&gt;Nos dois romances, a ausência da fala  amorosa acaba sendo um presente que os amantes se fazem reciprocamente, uma  forma extrema (e freqüentemente perdida) de respeito pela complexidade de nossos  sentimentos e dos sentimentos do outro que amamos.  &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="mailto:ccalligari@uol.com.br"&gt;ccalligari@uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6350326068919526484?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6350326068919526484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/amores-silenciosos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6350326068919526484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6350326068919526484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/amores-silenciosos.html' title='Amores silenciosos'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-2839667339753899070</id><published>2008-06-21T12:28:00.000-07:00</published><updated>2008-06-21T12:30:57.594-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SF1WuTKEPYI/AAAAAAAAAFE/5ch4WYD0l5o/s1600-h/afinal+pg+06.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SF1WuTKEPYI/AAAAAAAAAFE/5ch4WYD0l5o/s320/afinal+pg+06.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214419296981368194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-2839667339753899070?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/2839667339753899070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2839667339753899070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2839667339753899070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/06/blog-post.html' title=''/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SF1WuTKEPYI/AAAAAAAAAFE/5ch4WYD0l5o/s72-c/afinal+pg+06.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-2419778961548954826</id><published>2008-05-30T09:06:00.000-07:00</published><updated>2008-05-30T09:11:36.114-07:00</updated><title type='text'>El libro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SEAm5BjW3cI/AAAAAAAAAE0/uwn4nYS5vug/s1600-h/DSC02811.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SEAm5BjW3cI/AAAAAAAAAE0/uwn4nYS5vug/s320/DSC02811.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206203930351427010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-2419778961548954826?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/2419778961548954826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/el-libro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2419778961548954826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2419778961548954826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/el-libro.html' title='El libro'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SEAm5BjW3cI/AAAAAAAAAE0/uwn4nYS5vug/s72-c/DSC02811.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6495199555617222000</id><published>2008-05-27T06:25:00.000-07:00</published><updated>2008-05-27T06:27:00.556-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicanalise:pai: contardo:literatura'/><title type='text'>A FORÇA DAS PALAVRAS DE UM PAI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="data-edicao"&gt;&lt;span class="data"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=9947" class="voltar-edicao" title="Voltar para a edição de hoje"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3&gt;&lt;script&gt; document.write(display_name);&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h4 class="tipo-b"&gt;Nossos pais é que são uma incógnita para nós, é neles que buscamos, nem que seja uma migalha de discurso, que empreste uma missão para a nem sempre fácil tarefa de viver. O livro "O Conto do Amor", de Contardo Calligaris, é sobre essa busca&lt;/h4&gt;&lt;div class="publicidade anexo"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!-- OAS_AD('Middle'); //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Contardo Calligaris estréia na ficção: lançou, pela Companhia das Letras, O Conto do Amor (128 pág., R$34,00). Já estamos acostumados aos seus artigos semanais na Folha de S. Paulo, onde consegue, em tão exíguo espaço, a proeza de fazer um pequeno ensaio. De qualquer assunto, sempre extrai um novo sentido, nos surpreende com uma ou duas voltas a mais no raciocínio que já temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na largada, este livro lembra a arquitetura de Quase Memória de Carlos Heitor Cony. Naquele, o filho recebe uma caixa que só poderia ter sido ser mandada pelo pai, mas como, se o pai está morto? A partir desse mote, abrem-se inúmeras lembranças sobre quem foi esse homem, e que marcas deixou no filho. Já no livro de Calligaris, os últimos dias de vida do velho médico dão ocasião a uma das raras conversas que ele tem com o filho, a personagem Carlo Antonini. Só que o pai, talvez movido pela senilidade, profere um aparente disparate: ele acredita ter sido, numa outra vida, um auxiliar do pintor renascentista Sodoma. Após a morte, restam os diários do pai e esse fiapo de conversa delirante. Desconfiando de que seja uma afirmação insana, mas acreditando que ali se esconda alguma verdade, Antonini mergulha no passado de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlo e seu pai são como a maioria de nós, de longe se amam, de perto se desencontram. A expressão do amor de um filho pelo pai, e do pai pelo filho, é uma das questões abertas de nosso tempo. Nessas relações, o silêncio impera, sempre parece ser maior do que quaisquer palavras. As perguntas chegam tarde, as explicações não colam. Quando algo finalmente está sendo dito, julgamos ser tarde, ou então cedo demais. É um amor que não acha encaixe, não sendo, apesar disso, menos intenso e consistente, apenas é meio desajeitado, e raramente encontra uma via fácil, direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casamento e mortalha, no céu se talha. Esse é o dito que tenta neutralizar o fato de que somos fruto de um acaso. Nem os céus nem ninguém tinham garantias de que nossos pais se encontrariam, se amariam (na melhor das hipóteses) e que disso resultaríamos nós. Infelizmente, tampouco são os céus que estão cuidando para que nossa existência dure o tempo necessário para os seus desígnios, por isso, convém olhar quando se atravessa a rua. Essa expressão visa inverter a ausência de sentido da existência e da finalidade de cada um de nós. Existimos somente pelo acaso que reuniu nossos pais. Por causa disso que (mesmo sabendo dessa falta de razão), nos impelimos a investigar o que foi que os uniu, a descobrir quem eles foram, como foi que se amaram, em que outras tramas amorosas se meteram, o que lhes faltou viver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas frestas procuramos saber algo sobre nós e, não raro, encontramos, pois as pistas estão ali. Não queremos saber o que sempre nos disseram que eles eram, e o que queriam que fôssemos, indagamos o subtexto, os pequenos ou grandes segredos que toda família tem. Esse tipo de investigação geralmente ocorre após a morte dos pais, não necessariamente a morte física, mas sua progressiva diminuição no papel real da nossa vida. Um filho está interessado exatamente no que foi esquecido, silenciado, no que ficou pendente, ou que causou arrependimento, saudade, mágoa, ou ainda, um secreto orgulho nos seus pais. É quando eles de fato morrem que vamos ousar as maiores perguntas, aquelas que o pai não iria responder, porque, na verdade, é a si mesmo que o filho indaga: o que farei com esta herança de uma vida que ainda pulsa em mim, mas que se foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas perguntas sobre os pais nos movem, mas, em geral, nos incitam apenas a uma jornada interior. No livro de Calligaris, ao contrário, essa busca ocorre do lado de fora, como uma investigação real, cheia de andanças e descaminhos. Tal como Carlo Antonini, por melhor que um pai tenha sido, queremos encontrar seus furos, não cessamos de lhe atribuir algum mistério, algo no qual transcenda a vida que testemunhamos. Ou então, supomos que, antes do nosso nascimento, algo de muito empolgante tenha acontecido, afinal, nada como ser herdeiro de alguém interessante para valorizar nossas origens, das quais estamos sempre meio queixosos, não importa o que tenham nos oferecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É atraente a idéia de que nossa existência guarde um enigma, como se fôssemos uma mensagem cifrada lançada pelos pais para o futuro, tendo um destino que um dia aconteceria e revelaria nosso sentido. Assim, a vida de cada um parece ter uma razão que deve ser indagada aos que a inauguraram. Na verdade, é o inverso: nossos pais é que são uma incógnita para nós, é neles que buscamos, nem que seja uma migalha de discurso que empreste uma missão para a nem sempre fácil tarefa de viver. O livro é sobre essa busca, Antonini decifra e encontra uma nova faceta do pai. Bem, lapidar um pai é uma das tarefas da existência, uma das razões de uma análise, um dos trabalhos da ficção, e é sempre bom ver alguém se divertindo com isso. Mas o livro traz muito mais, confira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;!-- MÁRIO CORSO--&gt;&lt;!-- Psicanalista--&gt;&lt;small class="tipo-a"&gt;&lt;!-- MÁRIO CORSO--&gt;&lt;!-- Psicanalista--&gt;MÁRIO CORSO | Psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;div class="data-edicao"&gt;&lt;span class="data"&gt;24 de maio de 2008 | N° 15611&lt;/span&gt;&lt;span class="alerta"&gt;Alerta&lt;/span&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=9947" class="voltar-edicao" title="Voltar para a edição de hoje"&gt;Voltar para a edição de hoje&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6495199555617222000?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6495199555617222000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/fora-das-palavras-de-um-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6495199555617222000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6495199555617222000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/fora-das-palavras-de-um-pai.html' title='A FORÇA DAS PALAVRAS DE UM PAI'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-2788169411170590156</id><published>2008-05-26T10:39:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T10:43:56.791-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SDr2bRjW3bI/AAAAAAAAAEs/YSlgbOe1gos/s1600-h/DSC02809.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SDr2bRjW3bI/AAAAAAAAAEs/YSlgbOe1gos/s320/DSC02809.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204743267808632242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-2788169411170590156?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/2788169411170590156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2788169411170590156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/2788169411170590156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/blog-post.html' title=''/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SDr2bRjW3bI/AAAAAAAAAEs/YSlgbOe1gos/s72-c/DSC02809.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5915102205164965153</id><published>2008-05-15T13:22:00.001-07:00</published><updated>2008-05-15T13:25:14.550-07:00</updated><title type='text'>Entrevista: Charles Melman  -  A psicanálise nao promete a felicidade</title><content type='html'>&lt;span class="gmail_quote"&gt; &lt;/span&gt;  &lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;div vlink="blue" link="blue" lang="PT-BR"&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote style="margin-top: 5pt; margin-bottom: 5pt;"&gt; &lt;div align="center"&gt; &lt;table style="width: 251.25pt;" border="0" cellpadding="0" width="335"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 1.5pt;"&gt; &lt;p style="margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;Le Figaro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td style="padding: 1.5pt;" valign="bottom"&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 1.5pt;" colspan="2"&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;Charles Melman, colaborador de Jacques Lacan, lança seu livro no Rio de Janeiro &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;O psicanalista francês Charles Melman foi um dos colaboradores mais próximos de Jacques Lacan (1901-1981), o principal herdeiro de Sigmund Freud na França. Melman chegou ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 24, e participa na manhã de sexta do seminário "E o que é que ele quer, o psicanalista?", realizado no Hotel Glória. No final da tarde autografa seu novo livro, &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Prática Psicanalítica Hoje&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Antes de viajar, concedeu por telefone a seguinte entrevista ao repórter Ronaldo Soares, da sucursal carioca de VEJA. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que a psicanálise vem perdendo terreno para terapias que prometem resultados imediatos?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Porque ela não busca nenhum tipo de cura, não se propõe a isso. Está, portanto, na contramão da medicina, cuja história é rica em experiências baseadas na cura, com métodos variados. Alguns desses métodos, até pelos efeitos de sugestão, não são ineficazes. Mas é preciso saber se nós preferimos os métodos fundados sobre a sugestão ou se consideramos que é melhor privilegiar a livre atitude e o pensamento de cada pessoa, e assim estimular nela sua autonomia de julgamento. Nos períodos de crise moral, como o atual, proliferam os métodos que prometem a cura. Aos que escolhem esse caminho, só me resta desejar boa sorte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table style="width: 150pt;" align="right" border="0" cellpadding="0" cellspacing="12" width="200"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm;"&gt; &lt;p style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;"A última contribuição realmente original&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;ao pensamento de Freud foi dada por Lacan, que já morreu há quase&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;30 anos"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;p style="margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Além de espaço, a psicanálise perdeu prestígio?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Ela perdeu prestígio junto aos intelectuais, porque os que se inspiram em Freud não conseguiram dar prosseguimento de forma válida e original ao trabalho dele. Desse vazio surge a impressão de que Freud está ultrapassado. A última contribuição realmente original ao pensamento de Freud foi dada por Lacan, que já morreu há quase 30 anos (em 1981). Ele deixou ainda muito por fazer para que possamos dar conta das mudanças que estamos presenciando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O senhor concorda que há uma excessiva utilização de psicotrópicos atualmente?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A saúde hoje é algo que se calcula em bilhões de dólares. É compreensível e até inevitável que os laboratórios estimulem o alto consumo de medicamentos como os antidepressivos. A França, por exemplo, tornou-se um grande consumidor desses produtos justamente em virtude das ações que os representantes dos laboratórios desenvolvem junto aos consultórios médicos. A questão é que a hiper-medicalização contém muito mais riscos do que vantagens. No caso das crianças, por exemplo, isso fica evidente. Sobretudo no que diz respeito ao uso precoce, recomendado pelos laboratórios, de neurolépticos (inibidores das funções psicomotoras). Esses medicamentos vêm sendo usados nas crianças para tratar distúrbios de personalidade ou para combater problemas como insônia ou falta de apetite, entre outras coisas. Trata-se de algo absolutamente condenável, com implicações nefastas tanto sobre o desenvolvimento quanto sobre o estado físico da criança. Outra conseqüência grave da hiper-medicalização é a predisposição do indivíduo para desenvolver dependência química. Primeiro, de remédios. Mas em seguida, possivelmente, de produtos fora do mercado legal. Com isso, poderemos chegar ao ponto em que a dependência vai parecer uma situação absolutamente normal, porque em muitos casos terá começado na infância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Prozac e as idéias de Freud podem conviver harmoniosamente?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Eles vivem juntos. Às vezes de maneira harmoniosa e outras, não. No primeiro caso, devemos lembrar que Freud sempre pensou que o processo psíquico tinha um suporte neuro-hormonal. Ele esperava que a ciência descobrisse esse processo. Produtos como o Prozac agem sobre esses mecanismos neuro-hormonais e podem, então, levar a uma modificação do comportamento. Outra abordagem que mostra essa harmonia é lembrar que todos nós, assim como o próprio Freud na juventude, já sonhamos com a existência de uma panacéia de medicamento que dariam conta de todas as dores e todas as dificuldades. O Prozac se apresenta um pouco assim. Mas — e é aí que a harmonia desaparece — será que devemos apostar num procedimento que vai tratar o conjunto dos problemas psíquicos pelas drogas? Ou devemos continuar a levar em conta, primeiramente, a livre escolha do sujeito e, em segundo lugar, o próprio papel do corpo? Nesse sentido, um produto como o Prozac desencadeia um curto-circuito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como assim?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Dou um exemplo. Digamos que surja amanhã uma droga que, agindo sobre os centros cerebrais, produza um prazer sexual bem superior ao que se pode obter com o corpo. O que vamos preferir? Isso ou um acesso ao prazer sexual que continua a passar pelo corpo, mesmo não tendo a mesma qualidade do que pode ser proporcionado pela droga que atua diretamente sobre o cérebro? Eis o tipo de questão que se coloca com o uso do Prozac.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table style="width: 150pt;" align="left" border="0" cellpadding="0" cellspacing="12" width="200"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm;"&gt; &lt;p style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;"Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para que serve a psicanálise nos dias de hoje, quando se pode contar com tantos recursos destinados a proporcionar bem-estar psíquico?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A psicanálise permite a você se debruçar sobre os problemas reais e incontornáveis da existência. Não sobre os problemas ligados a sua infância, ao seu meio social, às neuroses em geral que interromperam seu desenvolvimento psicológico. Ela não propõe uma cura de dificuldades que são próprias da vida social, como as ligadas à vida do casal, à relação entre pais e filhos, etc. Mas permite colocar essas dificuldades em seus devidos lugares e, ao mesmo tempo, tratá-las de outra forma. A psicanálise não terá jamais a pretensão de prometer a felicidade. Mas também não a proibirá a ninguém. Ela convidará cada um a buscar o que pode ser a felicidade para si.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem procura psicanálise atualmente?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Fico surpreso quando constato que, se há uma clientela interessada e engajada na psicanálise hoje em dia, é a dos jovens dos 18 aos 30 anos. Eles não procuram a psicanálise pelo fato de reprimirem seus desejos, mas principalmente porque não sabem o que desejam. É uma situação totalmente original em relação a Freud. Antes, a pessoa recorria à psicanálise porque não ousava realizar seus desejos. Hoje, principalmente no caso dos jovens, é por não saber o que desejar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A que o senhor atribui essa mudança?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. É o meio social que propõe a eles essa maneira de agir em sociedade. O problema é que o tratamento dispensado ao desejo produz situações de dificuldades para os jovens. E isso os leva ao divã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que situações são essas?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Muitos jovens encontram dificuldade para desenvolver plenamente uma vida sexual. Parece paradoxal, porque hoje em dia o sexo é muito acessível. Mas na verdade essa facilidade leva à busca de uma vida sexual sem compromisso, que proporcione um prazer ocasional, como o cinema, a bebida ou a dança. Há aí uma mudança interessante, talvez uma tentativa de se proteger em relação ao compromisso que uma vida sexual pode evocar. A idéia é aproveitar sem se engajar, mas isso impõe uma questão: eles aproveitam plenamente? Esse é o fenômeno que chamei de nova economia psíquica. Ele é fundado sobre o princípio da busca imediata de prazer máximo, sem freios nem restrições. Esses momentos de prazer, que proporcionam uma satisfação profunda, são vividos mas não organizam a existência, nem o futuro. Ou seja, a existência é feita de uma sucessão de momentos sem nenhuma projeção no futuro, de momentos que podem desaparecer porque não terão continuidade. Isso é novo. E é o que está por trás do sucesso do mundo virtual proporcionado pela internet. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que o mundo virtual é tão atraente?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Porque é lúdico. É um mundo coerente com a maneira de viver dos jovens, não exige engajamento nem compromisso. Ali qualquer um pode viver uma série de vidas sucessivas sem nenhum compromisso definitivo. As pessoas querem se distanciar da realidade não porque ela seja assustadora ou sem-graça, mas porque ela implica sempre um limite. Além disso, a realidade requer uma identidade, um objetivo mais ou menos claro na vida, ao passo que esses exercícios virtuais não pressupõem nenhuma identidade, nenhuma perspectiva e ainda derrubam todos os limites, incluindo os do pudor e da polidez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que atualmente os casamentos não duram? A vida a dois ficou inviável com o novo arranjo social que igualou os papéis do homem e da mulher?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Pelos padrões vigentes na sociedade atual, nos é recomendado ao longo da vida renovar os objetos dos quais nos servimos. Trocar de carro, de tapetes, de mobília, etc. As relações afetivas acabaram seguindo esse mesmo princípio, dos objetos descartáveis. Elas não resistem a esse apetite de rejuvenescimento e renovação da sociedade contemporânea.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Freud explica as famílias atuais?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Não acredito. Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Fico surpreso que os sociólogos e antropólogos não se interessem muito por esse fenômeno. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido. Antes, o menino tinha na figura do pai um rival e um modelo. Um rival que despertava nele o gosto pela competição, e um modelo na busca do prazer sexual. Já para a menina, tratava-se de um homem em quem ela procurava se completar. Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até a descobrir o gosto pelo sexo. Nesse caso, a droga proporciona satisfações mais fáceis. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table style="width: 150pt;" align="right" border="0" cellpadding="0" cellspacing="12" width="200"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm;"&gt; &lt;p style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;"Freud dizia que a força da religião reside no fato de que ela responde às perguntas que ninguém mais pode responder."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td style="padding: 0cm; background: rgb(204, 204, 204) none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;color:#cccccc;" bg&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;img height="1" width="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;p style="margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É por isso que o consumo de drogas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;não pára de crescer?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Eu diria que o apelo das drogas é tornar a existência cada vez mais virtual. Dito de outra forma, as drogas afastam as contingências da realidade. Trata-se de uma outra maneira de celebrar a virtualidade, diferente da proporcionada pela internet. As drogas permitem uma aventura psíquica, momentânea, uma trip, que supostamente não teria outras conseqüências.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como a psicanálise vê as fobias na sociedade atual, que vive sob ameaças concretas, decorrentes de problemas ambientais e da escalada do terrorismo, por exemplo? É possível viver sem medo?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Pode parecer um paradoxo, mas isso acrescenta pimenta à existência, esse sentimento de que vivemos constantemente ameaçados. É um reencontro com os grandes medos antigos, os medos milenares, ligados a uma suposta proximidade do fim do mundo. O que é dramático é que hoje não se trata apenas de uma crença imaginária, mas sim de algo muito mais grave do que isso. Criamos armas de destruição em massa, por exemplo. Não sei se é possível nem se seria positivo acabar com o medo na sociedade. Ele, de certa forma, é um fator de proteção do sujeito, permite saber quem é o inimigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como entra a religião nesse arsenal de enfrentamento das angústias humanas?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A religião sempre foi bem-sucedida em dar soluções às angústias do homem, porque consegue explicar o que é esperado de cada um. Explica o lugar da pessoa no mundo e o papel que ela tem a desempenhar. Freud dizia que a força da religião reside no fato de que ela responde às perguntas que ninguém mais pode responder. Em nome disso, muitos se sacrificam inclusive financeiramente, doando uma parte significativa de seu salário para garantir que um ser superior vai livrá-lo das ameaças trazidas por suas falhas. Isso é muito visível em um certo número de religiões novas, como as neopentecostais. Desse fenômeno, que vocês conhecem bem no Brasil, posso citar como exemplo a Igreja Universal do Reino de Deus. Fui assistir a um culto deles e fiquei muito impressionado. Estive numa catedral, acho que em Recife, produzida exatamente como a Disneylândia de Orlando, com jogos de luzes bem feitos e pastores que fazem o estilo rapazes bonitos e simpáticos. O prazer que o público tinha em cantar e dançar junto, em subir no altar para dar dinheiro, era incrível. E eram pessoas pobres, claro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja —&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Freud marcou o pensamento no século 20. Ele sobrevive ao século 21?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melman — &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Não tenho certeza. O mundo caminha na direção oposta à proposta pela psicanálise. Os remédios e, mais recentemente, os avanços da neurociência, permitem ações diretas sobre os processos cerebrais, deixando em segundo plano a subjetividade. Então a vida psíquica, e eu sou pessimista nesse aspecto, corre o risco de ser cada vez menos determinante sobre o destino de cada um. Freud chegou a escrever que um dia a ciência estaria em condições de quantificar, de isolar as substâncias responsáveis pelos eventos psíquicos. Mas os que estudam o cérebro não estão interessados em Freud.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span&gt;Entrevista à Revista Veja - &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span&gt;Ronaldo Soares&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt; &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt; &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt; &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5915102205164965153?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5915102205164965153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/entrevista-charles-melman-psicanlise.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5915102205164965153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5915102205164965153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/entrevista-charles-melman-psicanlise.html' title='Entrevista: Charles Melman  -  A psicanálise nao promete a felicidade'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-7164367163115698986</id><published>2008-05-14T09:16:00.000-07:00</published><updated>2008-05-14T09:19:17.053-07:00</updated><title type='text'>FRase do dia:</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;i&gt;"A relação de um professor com os alunos é canibal: você come as carnes jovens deles, e eles comem sua experiência".&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;                                                           Umberto Eco&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-7164367163115698986?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/7164367163115698986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/frase-do-dia_14.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7164367163115698986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7164367163115698986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/frase-do-dia_14.html' title='FRase do dia:'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-7958694163656582275</id><published>2008-05-13T20:24:00.000-07:00</published><updated>2008-05-13T20:27:48.604-07:00</updated><title type='text'>Resenha de PAULA – ISABEL ALLENDE</title><content type='html'>&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="100%"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="conteudoTitulo2" style="text-transform: uppercase;"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;             &lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;    &lt;tr&gt;      &lt;td class="conteudo"&gt;       &lt;div style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;"&gt;                   &lt;div class="janela" style="padding: 10px;"&gt;&lt;img src="http://www.appoa.com.br/imgs/resenha/paula_2008-04-30.jpg" title="Paula" alt="Paula" /&gt;&lt;/div&gt;       &lt;/div&gt;      &lt;p&gt;Allende, Isabel. &lt;em&gt;Paula.&lt;/em&gt; Trad.Irene Moutinho. 9° Ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000. 464p.&lt;/p&gt;      &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;big&gt;M&lt;/big&gt;otivos para escrever são infinitos. Sabemos, no entanto, que, para se produzir um bom texto nem sempre é necessário uma grande história. Tampouco é necessário que as letras brotem dos ‘sulcos de nosso ser’, como num movimento vital. Isabel Allende nos oferece um livro em que mescla a história de sua família com a história recente do Chile, produzindo alguns parágrafos em que o ato de escrever se transforma em signo de so-brevivência: cria miragens em um deserto real. Deve escrever como única forma possível de suportar a perda iminente de sua filha mais velha, Paula. Isabel escreve sem saber ao certo se sua filha, muito doente, vai poder ler suas memórias, que destino terão suas palavras. É o que motiva seu livro: à espera de que sua filha se recupere, decide lhe contar sua história. Paula adoece cada vez mais, e seus manuscritos se transformam em uma tentativa de permanência do que ameaça extinguir-se: a vida ao lado de sua filha.&lt;br /&gt;Dias antes de iniciar como docente na Universidade da Califórnia, convidada para trabalhar narrativas com jovens aspirantes a escritores, Isabel se pergunta como se ensina a contar uma história. Às voltas com isso, um pouco atônita (na angústia da véspera), recorre a sua filha, Paula, que, ao telefone, lhe aconselha ironicamente: diga a seus alunos que escrevam um livro “ruim”, pois isso é fácil, qualquer um consegue. Isabel, um pouco ainda sem saber os efeitos que isso possa ter em seus tenros alunos, se lança nessa provocação. Assim, cada um dos alunos esquece sua ‘vaidade secreta de produzir o Grande Romance Americano’, lançando-se com entusiasmo no trabalho textual. Um dos escritos foi publicado em seguida, tendo grande repercussão entre os leitores. Nessas pequenas lembranças, Isabel Allende vai dando forma a sua “Paula”, marcando sua presença na história das gerações de sua família. Pode-se dizer que é um livro que produz uma sobrevivente, pois o caminho por onde nos conduz a perda de um ente amado é de uma radical elaboração de nossa própria morte. Morte em vida: daquele que não mais somos, deixamos de existir daquela forma, que só éramos para aquele que se foi. E, de certa forma, passamos a existir pelas palavras, criação permanente de nossas lembranças. Alguns livros intensos foram gerados em travessias como essa, por vezes tão árida e infinita!&lt;br /&gt;Esse é um escrito que se propõe a contar uma história em que memórias de infância, lembranças coloridas com as tintas das fantasias infantis, conversam com a história do Chile das décadas de 60/70.&lt;br /&gt;Isabel porta um sobrenome que a convoca a tomar posição: passa de uma jornalista de uma revista de moda, sem pretensões partidárias, a uma fiel defensora dos direitos humanos durante o regime militar vigente a partir do golpe de Estado que tira Salvador Allende da cena política e implanta um governo com perseguições e extermínios cruéis. Relembra-nos o trágico 11 de setembro de 1973, quando o presidente eleito nas urnas é levado a cometer suicídio – versão também aceita por sua família. “Paula” nos fala das mudanças ocorridas no Chile até se tornar inevitável o exílio da autora – longos anos distante de seus familiares e de seu país. Tive a alegria de encontrar referências importantes a Pablo Neruda que, segundo a autora, faleceu ‘de desgosto’ na sua &lt;em&gt;“Isla  Negra”&lt;/em&gt;, doze dias após a morte de Salvador Allende, seu amigo pessoal. Seu funeral foi acompanhado, não sem temores, por poucos, nas ruas de Santiago, enquanto corpos de presos políticos eram arrastados pelas águas geladas do rio Mapocho. Temos a oportunidade de irmos, várias vezes, com a família Allende, ao &lt;em&gt;Cerro Sán&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Cristóbal&lt;/em&gt;. No início do livro, subimos com a criançada para piqueniques em família e visita ao zoológico e, algumas páginas depois, descemos esse mesmo &lt;em&gt;Cerro &lt;/em&gt;acompanhando chilenos  que necessitavam ajuda (de Isabel) para exilar-se do país.&lt;br /&gt;Essas e muitas histórias se passam ao pé da cama de Paula, em um hospital público de Madri. Vítima de uma doença hereditária, que a lança em poucos dias em um coma profundo, na ânsia de não partir ainda, vida e morte são escritas lado a lado. Essa escritora, com sua espiritualidade pagã, nos ensina a difícil arte de deixar partir aqueles que já foram, mas que seguem ao nosso lado, partes de nós mesmos, nutrindo nosso desejo brutal de que não partam jamais.&lt;br /&gt;Para quem já leu o ‘clássico’ “A Casa dos Espíritos”, encontramos ainda informações preciosas sobre o processo criativo da autora: construção do enredo e de personagens, bem como as repercussões desse livro em sua vida pessoal.&lt;/p&gt;                  &lt;p style="padding-left: 50px; text-align: justify;"&gt;“Escrever me faz bem, apesar de ser às vezes penoso, porque cada palavra é como uma queimadura. Estas páginas são uma viagem irreversível por um longo túnel, não enxergo a saída, mas sei que deve haver alguma; impossível voltar atrás, tudo é questão de continuar avançando passo a passo até o final.”&lt;/p&gt;                  &lt;p style="text-align: justify;" align="left"&gt;Como proposta, sugiro que leiam sem pressa, pois o sabor desse livro  nos incita a fazer o inverso: devorá-lo em uma sentada!&lt;/p&gt;                    &lt;div align="right"&gt;    &lt;p align="right"&gt;Fernanda Pereira Breda&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/td&gt;    &lt;/tr&gt;   &lt;tr class="conteudo"&gt;&lt;td&gt; Copiei do site da APPOA -&lt;a href="http://www.appoa.com.br/"&gt;Associação Psicanalitica de Porto Alegre&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-7958694163656582275?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/7958694163656582275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/resenha-de-paula-isabel-allende.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7958694163656582275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7958694163656582275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/resenha-de-paula-isabel-allende.html' title='Resenha de PAULA – ISABEL ALLENDE'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-7845728225606750358</id><published>2008-05-11T18:13:00.000-07:00</published><updated>2008-05-11T18:20:58.487-07:00</updated><title type='text'>DESCRONIFICANDO: Um incerto Capitão Nascimento</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Iza Maria de Oliveira&lt;/div&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Escrever sobre o filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, consagrado (Urso  de Ouro, Berlim, 2008; Prêmios na Academia Brasileira de Cinema, 2008), sobre o  qual tantas críticas importantes foram escritas, é um risco inevitável quanto a  uma restrição frente à sua riqueza e complexidade. &lt;/span&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma das linhas de horizonte, apresentada em “Tropa de Elite”, através do  personagem, Capitão Nascimento, acerca do espírito de nossa época é a situação  do sujeito em crise com suas escolhas. Ou seja, a experiência de conflito na  vida quando se impõe algo próximo a um &lt;em&gt;“To be or not to be: that's the  question&lt;/em&gt;”. Desde o início, assistimos o personagem, Capitão Nascimento, se  debatendo quanto a várias questões, principalmente entre deixar ou não seu  trabalho no Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro  (BOPE), em função de sua vida de família. Trata-se de uma escolha que ele tem a  fazer, estando implicadas perdas e efeitos de seu ato na vida do outro.  Entretanto, este conflito vivido pelo personagem não é apresentado como  proveniente de uma condição de culpa. &lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma escolha comporta uma tomada de posição, de reposicionamento de lugar de  fala e de endereçamento ao outro. Escolher, própria condição do sujeito nos  nossos tempos, não é uma tarefa fácil. Os pensamentos e palavras do Capitão  demonstram isso. Uma escolha elevada a sua condição máxima de responsabilidade  implica situar as perdas que o sujeito suporta e, principalmente, no que este  ato implica na vida do outro. Esta pergunta é essencial numa posição de  responsabilidade com seu desejo. Sendo assim, trata-se de um ato que não é fruto  de uma pretensão de autonomia. Por isso, uma escolha comporta um reconhecimento  deste desejo numa historicidade, na trajetória de uma vida do sujeito. Por  exemplo, como uma mesma questão se pôs em momentos distintos de uma existência?  Para uma verificação disto é imprescindível o tempo como condição de elaboração.  Portanto, uma tomada de posição é efeito de um trabalho produzido dentro de um  tempo. &lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entretanto, como se permitir viver esta experiência em nossos dias? Pois,  um trabalho de elaboração de um conflito implica um tempo de parada, de  suspensão. Isto parece estar na contramão à lógica dos nossos tempos quando há  um domínio pela busca de poções mágicas para soluções complexas. Ou seja, a  resolutividade numa economia de tempo, ocasionando um curto circuito da posição  do sujeito. Muitas vezes, como indica Calligaris (Folha de São Paulo, Ilustrada,  11/10/2007), assumir uma consciência culpada é uma forma de desculparmos de  nossa inércia frente à culpa que sentimos. &lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Capitão Nascimento não é um herói de cavalaria, tampouco um anti-herói। É  um homem que expõe as contradições que habitam em seu espírito, colocando em  evidência o que há em cada um de nós: nossa condição de sujeitos que, numa  ruptura com preceitos da tradição, acreditamos nos livrar dos impasses e  percalços de uma liberdade individual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos escreve a autora:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Compartilho algumas idéias esboçadas em formato de texto,  e publicadas na coluna, "Descronificando" (Jornal &lt;em&gt;Hora H&lt;/em&gt;, 10/5/2008),  para possíveis indicações e diálogos".&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;     &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-7845728225606750358?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/7845728225606750358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/descronificando-um-incerto-capito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7845728225606750358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7845728225606750358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/descronificando-um-incerto-capito.html' title='DESCRONIFICANDO: Um incerto Capitão Nascimento'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8312902040874463453</id><published>2008-05-05T19:07:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T19:13:21.713-07:00</updated><title type='text'>Frase do dia:</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É nas sensações confusas que trazemos ao nascer que a linguagem deve reencontrar suas fontes, caso ela queira preservar para si a força do nome".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                                                                   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pierre Fédida&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8312902040874463453?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8312902040874463453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/frase-do-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8312902040874463453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8312902040874463453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/frase-do-dia.html' title='Frase do dia:'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-7221608738146958588</id><published>2008-05-04T11:20:00.000-07:00</published><updated>2008-05-04T11:31:57.619-07:00</updated><title type='text'>Texto  publicado na  revista PIAUI : "O amor anoitece"</title><content type='html'>&lt;img alt="" src="http://www.revistapiaui.com.br/images/2008/maio/Artigo_588/TITULO_IMG_ARTIGO.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                                                                          &lt;!-- Subtítulo --&gt;                                    &lt;img alt="" src="http://www.revistapiaui.com.br/images/2008/maio/Artigo_588/SUBTITULO_IMG.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;                                                                       &lt;br /&gt;                                                                        &lt;!-- Autor --&gt;                                                                          &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="autor"&gt;                                         JOÃO M. SALLES&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                                                                          &lt;!-- Efeito Aumenta Fonte --&gt;                                     &lt;/div&gt;&lt;div style="float: left; width: 180px; height: 22px; text-align: justify;"&gt;                                        &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                                     &lt;!-- Fim Efeito Aumenta Fonte --&gt;                                                                          &lt;!-- Paginação --&gt;                                     &lt;/div&gt;&lt;div style="float: right; padding-right: 5px; width: 305px; text-align: justify;"&gt;                                                                                  &lt;div class="paginaativa"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                             1&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;                                                                              &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                                     &lt;!-- Fim Paginação --&gt;                                                                          &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="linhahorizmaior"&gt;                                          &lt;/div&gt;&lt;div&gt;                                     &lt;!-- Div com Texto da Matéria --&gt;                                     &lt;/div&gt;&lt;div style="float: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                                         &lt;/div&gt;&lt;p style="font-size: 12px; text-align: justify;" class="txt" id="trocatxt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; No dia 16 de janeiro, o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar recebeu um email. Não reconheceu o remetente. Olhou o campo do assunto e leu: “Convite poético”. Havia a dúvida: seria um convite em forma de poesia? Um convite para uma tertúlia poética? Nem uma coisa nem outra. “Oi, Fabrício, tudo bem?”, começava o texto. “Não nos conhecemos pessoalmente. Meu nome é Eliza, sou jornalista. Escrevo por um motivo especial. Pode parecer estranho, mas vale a pena tentar...” O poeta leu até o fim, e depois releu. Pensou consigo mesmo, pasmo. “Fui convidado para um casamento. Para celebrar um casamento...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso. Eliza Muto e Stefan Gan tinham decidido oficializar uma união que já existia de fato havia seis anos. Como não eram religiosos, dispensavam padres, pastores, rabinos e até um juiz de paz em troca de um poeta. “Afinal, quem mais capacitado para celebrar o amor do que o meu poeta favorito?”, perguntava a noiva, não sem sinceridade, mas com uma ponta de astúcia. Poderia haver argumento mais definitivo? O poeta acedeu. A delicadeza do pedido era sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carpinejar tomou um avião e no dia 29 de março, um sábado, desceu em São Paulo. O casamento estava marcado para as 6 da tarde, numa chácara da Vila Mariana. Às 5, já esperava na recepção pelo noivo, que viria buscá-lo. Nunca o vira —“Sinceramente, não conhecia ninguém: padrinhos, pais, parentes, amigos... iria para uma festa sem nenhum vínculo, a não ser a poesia” —, mas não tinha dúvida de que seria reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas gozam do direito a certas liberdades, e, no que diz respeito à etiqueta do vestuário, Carpinejar é um homem livre. Para a cerimônia, escolheu uma “calça esverdeada fashion”, uma camisa de botões de madrepérola (que, fosse outra a ocasião, formariam um belo time de botão) e um lenço carijó gaudério, preso por um anel no qual se entrelaçavam a bandeira do Rio Grande do Sul e a do Brasil. Ornando o rosto, óculos verdes louva-deus. O corte à máquina deixara sua cabeça calva, com exceção de três letras capilares: POA — vistosa homenagem aos 236 anos do torrão natal. A mão direita mostrava-se convencional. A esquerda, não: trazia as unhas pintadas de marrom, uma pequena traição à mulher, que agora disputava o horário da manicure com o marido. A quem lhe perguntasse sobre a idiossincrasia, Carpinejar oferecia respostas elaboradas: “Para não confundir meu filho: duas mãos pintadas são de mulher, uma é de poeta; ser conduzido por uma mão feminina, mesmo que seja a minha, é muito melhor; e também serve para não lavar louça: minha mulher nunca podia, alegava que estragava as unhas. Agora eu também não posso. Passamos a comer fora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noivo chegou às 17h40 e não hesitou: era aquele o poeta. Entraram numa van, na qual já estavam os pais do nubente. Eram americanos e não falavam português. Muito menos esperavam por semelhante aparição. Não souberam disfarçar uma expressão de “Ah, Deus, é ele?!”, mas nada além: foram gentis, até porque não tinham escolha. Chovia a cântaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao local do enlace matrimonial, a abundância semiótica de Carpinejar fez com que variadas pessoas o tomassem por: a) líder de uma seita regionalista desconhecida (lenço gaudério); b) curandeiro (unha pintada de marrom); c) membro de uma facção budista (cabeça raspada); d) homem-propaganda (um segurança decifrou POA como marca de água mineral); e e) cover de Bono Vox (óculos louva-deus). A desorientação não era apenas dos circunstantes. Também o poeta se viu confuso. A noiva entraria em cena somente no momento do altar — mas a noiva é quem o tinha convidado. “O que vocês combinaram?”, perguntou, ansioso, ao noivo. “Nada”, disse o rapaz, incapaz de desanuviar o celebrante. “Nem na minha primeira sessão de autógrafos fiquei tão nervoso”, confessaria depois Carpinejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente a noiva abriu espaço — de braço enlaçado ao do pai, luminosa, com seu vestido branco e suas tatuagens de flores derramadas nos ombros desnudos —, instalou-se o pânico. “Onde eu fico?”, perguntou ela ao poeta. “Por Deus”, contaria Carpinejar, “eu acreditava que não imitaríamos uma encenação oficial. Na ausência de coordenadas, assumi totalmente o sacerdócio. Distribuí os padrinhos, armei a entrega das alianças, improvisei os passos.” E esperou pelo milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Que demorou a vir. Na primeira palavra, o microfone falhou. Uma criança gritou. Relampejou forte. O poeta pigarreou. E disse: “Sem querer, o casal está realizando o sonho da minha mãe. Ela queria que um de seus filhos fosse padre. Não entendia a desigualdade divina, que deu à família vizinha três padres e uma freira, mas para ela não reservou ninguém”. Sentiu que reassumira a própria voz. Os noivos sorriam, os padrinhos também, havia algo de bom no ar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="font-size: 12px; text-align: justify;" class="txt" id="trocatxt"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Ele então decidiu cumprir a função para a qual fora chamado: foi poeta. Olhou para os dois e disse: “O tempo passa rápido para os outros, não para vocês. O tempo está vivo em vocês. Minucioso. Detalhista. Obcecado. É como ficar o dia inteiro em casa. E, de repente, perceber que anoiteceu. ‘Já anoiteceu’ é uma das expressões mais bonitas. Significa que não controlamos as horas. Casar é anoitecer. É quase perguntar: ‘Como chegamos aqui?’”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como os noivos sabiam muito bem como haviam chegado ali, o poeta encerrou: “Stefan, você ama Eliza?” Ela disse que sim. “Eliza, você ama Stefan?” Stefan amava. “O ‘Eu te amo’ dispensa qualquer nova pergunta. O que vier depois será resposta, como este casamento. Eu abençôo os noivos, casados em nome da poesia.” O casal se beijou, e o sacerdote desconfia que os dois choraram dentro do beijo. &lt;img src="http://www.revistapiaui.com.br/images/fimtexto.gif" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; text-align: justify;" class="txt" id="trocatxt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;                                     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-7221608738146958588?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/7221608738146958588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/texto-foi-publicado-no-site-da-piaui.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7221608738146958588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7221608738146958588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/texto-foi-publicado-no-site-da-piaui.html' title='Texto  publicado na  revista PIAUI : &quot;O amor anoitece&quot;'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-1267091162464944819</id><published>2008-05-01T07:38:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T08:01:22.192-07:00</updated><title type='text'>A VIDA DOS OUTROS</title><content type='html'>&lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu vi o filme "A vida dos outros" citado por Contardo nessa crônica. Uma das coisas que chamou a atenção nesse filme foi a forma de tortura que era imposta aos artistas. Usavam uma pesquisa realizada por um psicologo onde ele descobriu que quando um artista ficava durante muito tempo isolado, mesmo sendo bem tratado, bem alimentado, nao produzia mais nada para o resto de sua vida se ficasse sem se comunicar, isolado do mundo externo. Bien, ai está a crônica do Contardo onde ele escreve um pouco mais sobre o filme....&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=";font-size:13;color:navy;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="EC_MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;strong&gt;O mistério é a banalidade do bem: por que alguns encontram a vontade de resistir ao horror?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;É UMA HISTÓRIA que já contei, mas não tenho como evitar esta breve repetição. Anos atrás, defendi uma tese de doutorado sobre a questão seguinte: como é possível que homens quaisquer, sem nenhuma predisposição moral ou patológica, homens como você e eu, possam se tornar algozes?&lt;br /&gt;O exemplo central da tese eram os inúmeros sujeitos que, durante o nazismo, atuaram, direta ou indiretamente, como agentes de extermínio.&lt;br /&gt;Excluí a minoria que era motivada por uma certeza ideológica e os pouquíssimos sádicos, que, aliás, eram descartados pelo próprio processo seletivo dos SS. Também confirmei que, no caso da "tarefa" genocida, as punições para quem não obedecesse às ordens eram mínimas, se não nulas.&lt;br /&gt;Sobraram-me, então, batalhões de reservistas, pais de família, "brava gente", provavelmente animados pela mesma moral básica que todos compartilhamos. Como explicar sua complacência e seus atos?&lt;br /&gt;Cheguei a esta resposta inquietante: qualquer um (ou quase) pode se esquecer de sua humanidade não por convicção nem por crueldade ou por medo, mas, simplesmente, pelo descanso que ele encontra na obediência, no sentimento de fazer parte de uma máquina da qual ele pode ser uma pequena engrenagem. Desejar, pensar e agir como indivíduo é penoso; muito mais fácil é renunciar à subjetividade (sempre atormentada) para transformar-se em burocrata do mal.&lt;br /&gt;Meus argumentos convenceram os que os leram. Mas fiquei com uma pergunta: tinha jogado um pouco de luz sobre a "banalidade do mal" (como dizia Hannah Arendt), mas o que continuava misterioso era a banalidade do bem. Entendia como milhares de homens comuns puderam se tornar algozes; não sabia por que alguns, nas mesmas condições, tinham encontrado a vontade de resistir.&lt;br /&gt;Não penso nos que, animados por seus ideais, levantaram as armas ou a voz contra os totalitarismos do século 20. Gostaria de entender os pequenos gestos de resistência que surgiram do nada, sem uma motivação que fosse clara para o próprio agente. Gostaria de entender o fascista simpatizante que, um dia, no meio de uma batida policial, escondeu um judeu, um homossexual ou um resistente. Ou o burocrata que, de repente, apagou o nome de uma família de uma lista de deportação ou avisou alguém que ia ser preso, para que fugisse a tempo.&lt;br /&gt;No nosso cotidiano imediato, na esquina de casa, por que, às vezes, se abrem frestas de humanidade e resistência na parede uniforme da complacência?&lt;br /&gt;Estreou, na semana passada, "A Vida dos Outros", o filme alemão, de F. H. von Donnersmarck, que foi Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007.&lt;br /&gt;Os fatos narrados acontecem durante os últimos anos da Alemanha Oriental, um regime talvez inigualado em seu caráter totalitário e policial.&lt;br /&gt;Claro, é uma história de homens transformados em burocratas sinistros pela vontade de impor seu capricho aos outros e, sobretudo, pelo vazio de sua vida. Mas é também a história do ato de coragem repentino (pequeno ou grande, depende do ponto de vista) de Gerd Wiesler, um oficial da Stasi, a polícia do regime.&lt;br /&gt;Saí do cinema me perguntando o que, no filme, tinha motivado a insubordinação de Wiesler. Foi a descoberta das razões sórdidas de seus superiores? Foi a simpatia por suas vítimas ou, quem sabe, o amor por uma delas? Foi a leitura de um poema de Brecht? Ou a escuta de uma sonata? Ou talvez a comparação entre a miséria silenciosa de sua existência e o ruído de amores, conversas e idéias na vida dos que eram objetos de sua escuta contínua?&lt;br /&gt;Numa cena tocante do filme, Wiesler chega em casa (uma espécie de protótipo do anonimato), cobre seu espaguete com extrato de tomate frio e senta diante do televisor que transmite crônicas políticas do regime. Há, na vida de Wiesler, uma irrelevância e um deserto afetivos que são o próprio estigma da complacência burocrática, mas que talvez sejam, ao mesmo tempo, a causa de uma vontade inesperada de fazer, por uma vez, a diferença, de se permitir um ato que valha a pena ser lembrado e contado.&lt;br /&gt;Raramente assisti a um filme que, de maneira discreta e humilde, me ajudasse tanto a entender o que, de repente, no marasmo, pode nos devolver nossa humanidade e nos levar a fazer a coisa certa.&lt;br /&gt;PS: O livro de José Saramago mencionado na coluna passada, "O Conto da Ilha Desconhecida", foi publicado em 1998 e reimpresso recentemente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=";font-size:13;color:navy;"  &gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-1267091162464944819?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/1267091162464944819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/vida-dos-outros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1267091162464944819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/1267091162464944819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/05/vida-dos-outros.html' title='A VIDA DOS OUTROS'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8769264801195861320</id><published>2008-04-27T20:39:00.000-07:00</published><updated>2008-04-27T20:45:42.321-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juiz;psicanalista;direito;psicanalise'/><title type='text'>O juiz, o psicanalista e o estado de exceção</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="titulo14-branco"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Dorothee Rüdger&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras cortam feito lâminas. Sentenças e atos são decisões que recortam o mundo das normas e dos fatos. E nada mais será como antes. Saindo da sala de audiência ou do consultório do psicanalista, o demandante sabe que algo aconteceu ali, algo que rompeu com a mesmice, com a rotina, com o dia-após-dia, com o previsível, o explicável, com a ordem estabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juiz, se for juiz e não um mero aplicador de leis, sabe do hiato entre o fato e a norma, entre a regra e a exceção, entre a teoria e a práxis, a validez e a eficácia, a legalidade e a legitimidade. Psicanalista que é psicanalista estudou as falhas na linguagem, falhas essas, por onde transparece o inconsciente, como nos ensinou Sigmund Freud. Sabe da radical diferença entre a cultura e o sujeito, entre o masculino, escravo da lei edípica que todos são obrigados a cumprir, e o feminino , a exceção, a invenção, como ensinou Jacques Lacan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decisões. Juizes e psicanalistas tomam decisões. Cometem atos, muitas vezes dolorosos, que implicam os sujeitos, que os responsabilizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão do juiz, da jurisdição, diz da justiça que só se faz por meio da força da lei, como diz Jacques Derrida. Essa força está instalada no direito, pois sem a força da lei, a norma resta letra morta. Os revolucionários franceses fizeram da força da lei sua pedra angular. Sem força não há lei, não há ordem, não há direito. A justiça contrasta com o direito. Situada no hiato entre a lei e o mundo vivo, entre a norma e os fatos, desmistifica o direito, desconstrói sua universalidade, seu cálculo, sua linguagem neutra. Justiça é feita caso a caso. A decisão do juiz é sempre subjetiva. Sujeito da história, o juiz faz história, porque cada decisão rompe o sistema do cálculo normativo para criar algo novo: uma nova situação, um novo direito. Como não consegue agradar a gregos e troianos, a justiça provoca dessimetrias e, portanto, mudanças violentas no estatuto das partes. Assim, o ato do juiz, a decisão judicial, desconstrói constantemente o direito, ele próprio fruto do ato da força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justiça nos angustia. Desconhecida por natureza, infinita e incalculável, ela é “rebelde à regra”, permanece um “desejo no horizonte”, como quer Jacques Derrida. O juiz que é juiz, é um rebelde. Não bate o martelo em cima da mesa para restabelecer a ordem, mas cinde solitariamente e solidariamente os arrazoados das partes. Revoluciona o mundo simbólico da norma, desmistifica o imaginário pelo qual “a cada um se atribui o que é seu” e, pelo qual, “a justiça tarda mas não falha”. Aplicando a justiça, o juiz toca o real, aquilo que “não tem lei”, como diz Jacques Lacan. Assim, a justiça situa-se na falha da intersecção entre os três registros do nó borromeano. É sempre exceção, algo que excede. Por isso mesmo, nunca pode ser feita para todos, permanece um desejo vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregando consigo a violência, o direito está prenhe de seu próprio paradoxo: force de loi (força da lei) para os franceses, Staatsgewalt (violência do Estado) para os alemães. A garantia da lei é a não lei, a força, o estado de exceção. Este pode ser um Estado de exceção com “E” maiúsculo. Pode ser também um estado de exceção com “e” minúsculo. Dependendo de nossas escolhas políticas (Carl Schmitt que o diga!), o Estado de exceção transfere para um ditador a soberania , a capacidade de decidir na zona cega da validade da norma para, desta maneira, garantir a ordem. Por outro lado, se acreditarmos às palavras de Giorgio Agamben, pela lógica do estado de exceção, é permitido ao povo favelado cavar dutos de água potável clandestinos e puxar luz com gambiarras na rede elétrica. Diante da necessidade, a norma é suspensa. O que vale é a (não) lei da sobrevivência. Justiça se faz pela rebeldia. E as falhas na rede de água potável corroem o morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falha é a razão de ser da psicanálise desde Sigmund Freud. Afasias, atos falhos, chistes, sonhos e sintomas, enfim, o mau funcionamento do nosso aparelho de linguagem, são, como diz, as portas de saída do inconsciente habitado pro desejos recalcados pela culpa que a lei edípica nos proporciona. Para Sigmund Freud, nossa cultura constrói-se a partir do recalque de nossas pulsões de vida e de morte. O resultado é um tremendo mal-estar perante a cultura. Para espantar o mal-estar fazemos de conta que encontramos na cultura soluções para nossos males. Para cada doença um remédio, para cada ato criminoso um tipo penal, para cada problema uma solução. Assim nos ensinam nas universidades. As contradições na sociedade resolvem-se pela síntese dialética, divulgam os revolucionários marxistas. A cultura e sua ordem nos contêm. Exigem um preço alto: neuroses, psicoses e perversão nos lembram como a ordem cultural é furada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do Édipo, o buraco é mais embaixo. Se para a psicanálise cada caso é um caso, a classificação dos pacientes em neuróticos, psicóticos e perversos pode apenas auxiliar o psicanalista a realizar algo que o aproxima do juiz: tomar uma decisão. Decide sobre a questão se o paciente é analisável, decide os rumos que o caso poderia ter, seu direcionamento, decide, enfim, o ato que suspende a fala do paciente e que o desloca do lugar onde se encontra. Para tanto, tem que ser rebelde à lógica, desconfiar da norma e cortar com a lâmina da palavra o discurso estabelecido. O psicanalista deixa desnudo o estado de exceção, estado sem lei, para dar passagem ao desejo. Para o psicanalista todos os pacientes são diferentes, são como se fossem uma mulher que, avessa á estandardização, constantemente se inventa, como diz Jorge Forbes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um cidadão preterido em seus direitos provoca o poder judiciário, o juiz decide, embora na base da lei, em nome da justiça, eterna rebelde à regra. A responsabilidade é do juiz e do sujeito responsabilizado, nesse caso, pelo Outro. Quando um paciente procura um psicanalista, ele decide provocado pelo psicanalista. Radicalmente diferente dos demais, o paciente, o sujeito da psicanálise “pica” seus conceitos e fantasias e tem, assim, a chance de reinventar, cioso de sua responsabilidade diante do futuro. No fundo, é ele quem sabe. Por isso, a decisão, o ato de cortar com palavras o status quo, é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do blog www.jorgeforbes.com.br&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;        &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8769264801195861320?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8769264801195861320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-juiz-o-psicanalista-e-o-estado-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8769264801195861320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8769264801195861320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-juiz-o-psicanalista-e-o-estado-de.html' title='O juiz, o psicanalista e o estado de exceção'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8676502356697913883</id><published>2008-04-26T21:13:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T21:14:37.780-07:00</updated><title type='text'>Frase do dia:</title><content type='html'>"Se as dores humanas se esquecem, como se não hão de esquecer as leis?" (Machado de Assis)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8676502356697913883?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8676502356697913883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/frase-do-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8676502356697913883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8676502356697913883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/frase-do-dia.html' title='Frase do dia:'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-4151496737532023789</id><published>2008-04-26T14:43:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T14:47:57.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciúme;Machado de Assis;psicanalise'/><title type='text'>Texto publicado na revista AFINAL /abril 2008</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SBOiKiPYPDI/AAAAAAAAAD0/ROyg2_8yXtU/s1600-h/Afinal+pg+38.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 266px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SBOiKiPYPDI/AAAAAAAAAD0/ROyg2_8yXtU/s320/Afinal+pg+38.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193673097162013746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-4151496737532023789?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/4151496737532023789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4151496737532023789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/4151496737532023789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/blog-post.html' title='Texto publicado na revista AFINAL /abril 2008'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/SBOiKiPYPDI/AAAAAAAAAD0/ROyg2_8yXtU/s72-c/Afinal+pg+38.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8339548473341531491</id><published>2008-04-26T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T08:18:06.575-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='unijui;psicologia;psicanalise;psicose'/><title type='text'>AS ESTRUTURAS FREUDIANAS DAS PSICOSES E A QUESTÃO INSTITUCIONAL</title><content type='html'>&lt;div class="article-content article-content-"&gt;     &lt;div class="text"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fui entrevistada para o Informativo da Clinica de Psicologia da UNIJUI na edição de março/abril 2007&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; FN – Fale sobre o seu percurso na UNIJUI, e como este lhe preparou para a realização do seu trabalho. A partir disso, o que você pode dizer para os estudantes que fazem ou desejam esta formação?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Iniciei no curso de Psicologia da URI/Santo Ângelo. Após um ano, tomei conhecimento do referencial teórico do curso da Unijui para onde me transferi e me formei em 2004. Neste curso de psicologia temos um diferencial nos componentes curriculares, na formação dos professores, nas supervisões semanais, nos estágios que, por serem de um ano, nos permite passar por uma experiência singular, sustentada pela ética da psicanálise. Portanto, o curso me forneceu a base teórica/pratica para a atuação como profissional, pois a proposta do curso nos leva a sermos críticos e pesquisadores, a continuar estudando porque nosso trabalho esta em permanente construção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; FN – Como você tem dado continuidade à sua formação?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois da formatura dei continuidade aos estudos participando de encontros, seminários e discussões teóricas. Participo de um grupo de estudos de psicanálise em Santa Rosa, faço analise pessoal e supervisão. Alem disso, continuo meu interesse por literatura que sempre fez parte das minhas leituras. Também participo de encontros filosóficos e literários alem dos psicanalíticos, pois sabemos que a escuta clinica exige um trabalho constante sobre ela mesma e com outros saberes. Com essa formação pensamos que o lugar do psicólogo não esta dado previamente, mas deve ser construído em cada lugar onde ele for trabalhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;FN – Quais as experiências de trabalho que lhe surgiram?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Inicialmente meu trabalho começou na Clinica Hermann em Santa Rosa, onde continuo trabalhando com atendimentos individuais. Em seguida escolhi trabalhar com Saúde Publica e surgiu uma oportunidade na cidade de Horizontina, no Centro de Atenção à Saúde Coletiva - CASC da Secretaria de Saúde. Nesta instituição trabalho na equipe de Oncologia, na Saúde mental com atendimentos individuais e coordeno o Grupo Terapêutico de Alcoolismo¹. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;FN – No trabalho clinico, existiria alguma peculiaridade na escuta da(s) psicoses(s)? podemos falar em uma clinica “diferencial”?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Penso que sim, tendo a sustentação da psicanálise é possível. Neste ambiente complexo que é o trabalho institucional procuro conduzir meu trabalho tendo a ética psicanalítica como norteadora. Assim, com a transferência podemos inaugurar um espaço de escuta do sofrimento quer seja dos que buscam a instituição ou de quem cuida deles. O acolhimento e o espaço de escuta como lugar de testemunho é determinante para que possamos diferenciar estrutura de fenomenologia. Procuro assim escutar o sujeito na sua singularidade, proporcionando um espaço de fala, pois a realidade psíquica é a realidade que faz questão na clinica, levando em conta a singularidade de cada paciente, caso a caso. Neste sentido, a transferência possibilita as condições para que o trabalho possa se realizar. O diagnostico estrutural permite a compreensão da dinâmica e da função dos sintomas na subjetividade do paciente. Podemos pensar que no momento atual é preciso restituir a realização do diagnostico diferencial a partir de uma clinica que leva em conta a subjetividade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;FN – como você percebe uso de medicamentos em pacientes diagnosticados como psicóticos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na instituição em que trabalho todos os pacientes que recebo com o diagnostico de psicose são medicados. O encaminhamento acontece após o atendimento do medico. No trabalho institucional, há varias possibilidades de endereçamento transferencial. Proponho-me acompanhar o paciente na instituição que tem um trabalho de abordagem coletiva. Há a possibilidade de escutá-lo e escutar também quem o conduz para o atendimento. Porque muitas vezes o paciente que vem encaminhado já faz parte de outras intervenções institucionais oportunizando o encontro de diferentes discursos. Procuro não me apressar com intervenções imediatistas, mesmo nos encaminhamentos. Procuro dar espaço para que o paciente fale o quem muitas vezes, causa surpresa num primeiro momento, pois acreditam não terem muito que dizer sobre o seu sintoma. O medicamento ocupa um lugar na vida do paciente. Para alguns pacientes é a medicação que proporciona as condições de iniciar um tratamento de psicoterapia. Mas tratar do sintoma significa aborda-lo como manifestação da subjetividade, compreendendo assim podemos acolher e possibilitar seus desdobramentos. Devemos reconhecer os efeitos da medicação, mas temos que levar em conta que no existe clinica sem sujeito, esse é nosso trabalho como psicólogos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;FN – Qual o lugar da psicose no cenário contemporâneo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No Brasil houve mudanças significativas nos últimos anos na forma de atendimento da psicose. Ate a algum tempo, era a internação por longos períodos a única alternativa possível. Na tendência atual temos a Reforma Psiquiátrica como modelo para discutir a clinica, na conquista da inclusão social, propondo um lugar de endereçamento na instituição publica. Mas podemos acreditar que a solução da internação, que muitas vezes determina a alienação do sujeito, o preconceito, a marginalização na sociedade dos cidadãos com diagnósticos de psicose, é um modelo superado mesmo? Ou ainda, o discurso das neurociências não tende a voltar a predominar por oferecer compreensões totalizantes? São questões bastante complexas que exigem um espaço amplo de discussões. Temos também as internações breves, ambulatoriais, medicamentosas e as psicoterapias. Nos CAPS encontramos as condições mais favoráveis para a especificidade da clinica das psicoses e seus impasses, alem de encontrarmos as novas praticas em saúde mental no serviço publico com o trabalho em equipe interdisciplinar como um possível lugar de acompanhamento e de endereçamento. A inserção da psicanálise junto às instituições é outro elemento importante para se construir um trabalho diferenciado. Penso ser a opção mais razoável de trabalho com a psicose: o trabalho interdisciplinar, os projetos terapêuticos pensados em equipe, a escuta de profissionais com boa formação para criar um espaço de fala sobre o sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Texto publicado no jornal Falando Nisso da  &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.unijui.edu.br/content/view/187/1175/lang,iso-8859-1/" class="mainlevel"&gt;Clínica de Psicologia&lt;/a&gt; da UNIJUI&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;¹esse trabalho em Horizontina foi encerrado. Atualmente faço atendimentos na Secretaria de Saúde de Santa Rosa - FUMSSAR onde recebo encaminhamentos dos Postos de Saúde(PSF) e  Ministério  Público  (presídio).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8339548473341531491?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8339548473341531491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/as-estruturas-freudianas-das-psicoses-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8339548473341531491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8339548473341531491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/as-estruturas-freudianas-das-psicoses-e.html' title='AS ESTRUTURAS FREUDIANAS DAS PSICOSES E A QUESTÃO INSTITUCIONAL'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8123459832615827199</id><published>2008-04-26T07:46:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T07:47:42.453-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fadas;bruxas;psicanalise'/><title type='text'>Fadas, bruxas e madrinhas![1]</title><content type='html'>&lt;div class="article-content article-content-"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="text"&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; &lt;a name="_ftnref1" href="http://mail-a.uol.com.br/cgi-bin/webmail#_ftn1" target="_blank" id="_ftnref1"&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); font-family: Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: right;" class="EC_MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Iza Maria de Oliveira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="text-indent: 2cm; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Era uma vez uma filha dedicada e uma mãe devota. Certo dia, num momento de dúvida acerca dos mandatos maternos em relação a sua escolha amorosa, se perguntou: “Todas as mães têm razão, mesmo que em certa medida?”. Num outro território, mas numa mesma fronteira, uma pequena menina pergunta a seu pai (separado de sua mãe): “Se você casar de novo com minha mãe, ela vai ser minha madrasta?”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 2cm; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Considerando que estas interrogações sugerem alguns caminhos para pensarmos acerca do lugar materno, enderecei para outras pessoas esta mesma questão da&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; filha devota acerca da razão materna. Alguns responderam que se assim fosse, certamente não saberiam se defender ou se tornariam psicóticos (loucos). Enquanto outras afirmaram negativamente (sic!), considerando muitas mães devoradoras como, também, humanas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Uma das pessoas verificou: &lt;em&gt;“Da minha mãe ou de mim, como mãe? Pois isso depende do lugar que respondemos. De acordo com a posição, a resposta pode mudar. Como filha, acho que sim, como mãe, não. Com criança pequena, acho que sempre temos razão, mas com filho maior, não. Depende da situação. A única certeza é que a mãe é culpada sempre”&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Outra referiu&lt;em&gt;: “Se é em certa medida, não significa que têm razão”.&lt;/em&gt; O mais problematizador de todos, enfatizou: &lt;em&gt;“Esse enunciado ‘todas as mães têm razão, mesmo que em certa medida?’ é problemático, pois o contexto determina a resposta. Mesmo que o segundo enunciado queira relativizar, o primeiro é absoluto”&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Algumas das colocações acima encontramos em seres de espíritos complexos, enquanto outras em almas um pouco “macabéas”, ou seja, àquelas que respondem, sem defesas, às contradições que uma pergunta pode conter; também, responderam aqueles que, seguros de uma verdade, temem duvidar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; Contudo, as respostas sugerem uma dificuldade das mães em possibilitar às suas filhas uma outra condição que não somente a de filha/criança. Ou seja, há uma complexidade na autorização e no reconhecimento de um lugar no sexual às filhas, pois para acontecer este deslocamento de posição se faz imprescindível suportar um processo de luto. A mãe perde um lugar de idealização: de fada admirada e dona (supostamente) de toda razão, passa a ser bruxa malvada, com poções de razão amaldiçoadas; assim, entram em cena invejas, rivalidades, etc. Assim, para uma mãe suportar este processo terá de conviver com as ambivalências inerentes a ele – mais um dos seus passos em prol do seu “padecimento no paraíso”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); line-height: 150%; font-family: Verdana;"&gt; O filme de Almodóvar, &lt;em&gt;Tudo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;sobre minha mãe&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, é convocativo nesta via de reflexão, indicando que as mães, certas e erradas, podem apresentar aos seus filhos &lt;em&gt;O bonde do desejo&lt;a name="_ftnref2" href="http://mail-a.uol.com.br/cgi-bin/webmail#_ftn2" target="_blank" id="_ftnref2"&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; color: rgb(153, 51, 0); font-family: Verdana;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt; Lugar esse em que as razões são, por vezes, incertas; onde as interdições possibilitam ao conjunto dos filhos servis, tirânicos, rebeldes e amáveis, embarcarem, viajarem pela vida, fazendo paragens e, também, prosseguir. Afinal, parece que dizer tudo sobre a mãe é a morte, assim como a absolutização da razão materna pode matar o desejo de um filho. Pois, dizer “tudo” é da ordem da impossibilidade, assim como o interessante nesta relação não está na ordem da razão, mas da transmissão amorosa. Uma transmissão onde se oscilam os lugares de fada, bruxa e madrinha (sobre isso, indico o livro, “Fadas no Divã”, de Diana e Mário Corso, editado pela Artmed). Para finalizar, uma citação destes autores, &lt;em&gt;“as ajudas benignas nos contos de fadas oferecem instrumentos, jamais uma solução. A vida raramente transforma alguém em outra coisa, ela apenas brinda com alguns acasos, fatos e contextos pelos quais uma vida pode mudar seu rumo”.&lt;/em&gt; Que as varinhas e as poções sirvam como instrumentos promissores na vida de nossos filhos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;hr style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; height: 3px;" size="1" width="33%"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" id="EC_ftn1"&gt; &lt;p class="EC_MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_ftn1" href="http://mail-a.uol.com.br/cgi-bin/webmail#_ftnref1" target="_blank" id="_ftn1"&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-family: Verdana;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: rgb(153, 51, 0); font-family: Verdana;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-family: Verdana;"&gt; Texto publicado no Jornal, &lt;em&gt;Hora H&lt;/em&gt;, em 24/11/2007.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div id="EC_ftn2"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a name="_ftn2" href="http://mail-a.uol.com.br/cgi-bin/webmail#_ftnref2" target="_blank" id="_ftn2"&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="color: maroon; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="EC_MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; color: maroon; font-family: Tahoma;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; color: maroon; font-family: Tahoma;"&gt; Título&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; color: maroon; font-family: Tahoma;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;da peça de teatro em que a mãe leva seu filho, no dia de aniversário deste, para assistir. Trata-se do clássico de Tenesse Williams (1914-1983) “&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A streetcar&lt;/span&gt; named desire&lt;/em&gt;”, de 1947.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;/div&gt; &lt;/div&gt; &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8123459832615827199?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8123459832615827199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/fadas-bruxas-e-madrinhas1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8123459832615827199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8123459832615827199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/fadas-bruxas-e-madrinhas1.html' title='Fadas, bruxas e madrinhas![1]'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8491022729190396155</id><published>2008-04-26T06:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T07:17:49.493-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicanalise; infancia; filhos; pais'/><title type='text'>Herodes são os outros...</title><content type='html'>&lt;h4 style="text-align: justify;" class="tipo-b"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ser pai não anda fácil. Antes criavam-se muitos e uns davam certo, outros nem tanto. Hoje é um ou dois e nada pode dar errado&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="publicidade anexo"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;!-- OAS_AD('Middle'); //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://anuncio.clicrbs.com.br/RealMedia/ads/click_lx.ads/zh/impressa/materia/102/874188767/Middle/default/empty.gif/61633139303733313437393135333930" target="_top"&gt;&lt;img src="http://anuncio.clicrbs.com.br/RealMedia/ads/Creatives/default/empty.gif" alt="" border="0" height="2" width="2" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cachorro que late não morde. Usamos esse provérbio para dizer que aquele que expressa um desejo, ou uma ameaça, a princípio não a executará. Espichando ainda mais o raciocínio, podemos inferir que aquilo que encontra algum tipo de expressão, quer seja em palavras, pensamentos, fantasias, ou sonhos, não precisará acontecer. Os psicanalistas apostam nesse exercício de enunciação para que não chegue a ocorrer algo grave. Quando o pior acontece, denominamos isso de passagem ao ato, ou seja, uma atitude tresloucada, expressando o que se sente, ou se quer dizer, de forma perigosa, espetacular ou violenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte dos crimes, especialmente aqueles que são ocasionados por um momento de descontrole, são desse tipo. Essa é uma das prováveis razões do assassinato da menina Isabella. Esse arremedo de explicação do crime, se tiver sido cometido pelo pai e pela madrasta, como está sendo sugerido pela investigação divulgada pela imprensa, não o torna justificável ou perdoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que quando alguém morde, todos os cachorros que latem ficam suspeitos de crime iminente. É isso que sentem todos aqueles que gritam pelas ruas, se amontoam em frente ao local do crime, tentam linchar os acusados, se desmancham chorando na TV. A imprensa e o público caem como urubus em cima do caso por que todos precisam deixar bem claro que jamais morderiam, por mais que já tenham rosnado ou pensado em latir para seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem não pensou? Quem não desejou que eles tivessem botão de liga e desliga, que eles se desmaterializassem naquele dia em que estavam insuportáveis e nós tão cansados? Qual o casal de amantes que não lembrou saudoso o tempo em que eles não existiam? Qual o pai ou mãe que em alguma ocasião não teria desejado trocar o próprio filho por outro, aparentemente mais comportado ou bem sucedido? Quem nunca pensou que não ia ter condições de sustentar, educar, colocar limites, ensinar a se defender? Quem nunca ponderou a idéia de desistir, como se fosse possível, da empreitada em curso da paternidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser pai não anda fácil. Antes criavam-se muitos e uns davam certo, outros nem tanto. Hoje é um ou dois e nada pode dar errado, poucas balas pedem tiros certeiros. Pai e mãe são julgados pelos resultados: diga como são teus filhos e te direi quem és! Essa pressão, aliada ao tratamento de reis que têm os pequenos de hoje, faz muitos recuar. As taxas de natalidade baixam em países do primeiro mundo, o que sempre nos indica as tendências de por onde o futuro vai andar. Recente pesquisa apontou que 15% dos brasileiros que tiveram filhos, se pudessem voltariam atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso o mito segue igual: ser pai é ultra bom, insinua-se que é a única atitude madura a tomar, e não deve haver dúvidas de que será paixão à primeira vista, e você vai amar seus filhos incondicionalmente. Se for mulher então nem se fala: não se é "verdadeiramente feminina" sem filhos. Abortar é crime! Falar de aborto mexe com o fundamento de todo esse edifício de crenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar cabe perguntar: por que esse discurso social tão forte, cercando a maternidade e a paternidade de certezas que elas nunca têm? Impossível saber se ter filhos é a melhor coisa a fazer, se é a atitude mais nobre a se tomar, e se existe garantias de que o amor vai conduzir as coisas para o bom caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Açodados por tanto romantismo, muitos embarcam nessa viagem só de ida sem estarem preparados. São ainda demasiado filhos para tornarem-se pais. Quando caem na real alguns superam, e fazem disso uma razão a mais para viver. Outros deprimem e resignam-se, fazem do seu filho um castigo e socializam essa sina com todos em volta. E há aqueles que são incuravelmente frágeis, imaturos e ou narcisistas para suportar esse encargo recebido. Pois não há como dourar a pílula, é um fardo vitalício, por mais que consigamos extrair disso experiências interessantes, desafios instigantes, muito afeto e até aventuras! Mesmo quando é bom, é uma responsabilidade e uma trabalheira assustadora. Não admira que existam aqueles que tentem evitá-la ou postergá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter um filho é assinar um contrato imenso, escrito em letras ilegíveis, em palavrório incompreensível, do tipo que se a gente lesse jamais teria coragem de encarar. Claro que vamos amadurecendo com a experiência, qualificando-nos a posteriori, de tal modo em que ficamos prontos para criar o primeiro filho só após ter o segundo, para administrar o conflito entre os dois primeiros, só quando eles já resolveram isso por conta, e se um terceiro houver, já estaremos anestesiados, nem lembraremos das questões anteriores. Portanto, a sensação de impotência é intrínseca à tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, há outra contradição inerente à parentalidade: como é que ela é fruto de um amor, sua encarnação, na mesma medida em que se torna seu maior obstáculo? Depois de iniciada, um homem e uma mulher precisarão conhecer-se novamente e re-pactuar a relação. Nem sempre um amado é o pai que ela queria para os filhos, nem sempre ele gostaria de compartilhar o leito com uma mulher que é mãe. Muitos problemas ocorrem porque a criança é incompatível com o amor do casal que a gerou. E há um agravante quando ela representa um resto de amor antigo, do tipo que sempre deixas pendências das quais o filho restante é uma triste lembrança. E quando o ciúme do novo consorte não suporta esse resto ambulante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, um filho pode ser fruto de um deslize, um aborto que não se teve coragem de fazer, pode ser uma tentativa de colocar alguém na casa dos próprios pais para que ocupe nosso lugar e estes nos deixem partir. Neste caso, e se a criatura não se resignar a esse papel de irmão de mentirinha e insistir em fazer-nos pais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todos esses casos e tantos outros, a fantasia providencia soluções como as do pai e da madrasta de João e Maria: levar as crianças incômodas para a floresta e esquecê-las lá a mercê das feras. O problema é quando as pessoas, curtas de fantasia e de capacidade de escutar suas ruminações, seus rosnados interiores, passam ao ato: matam, maltratam, abandonam. Aí acabou a brincadeira, é preciso exorcizar, lavar as mãos, latir e latir, para que ninguém pense jamais que nós poderíamos um dia também chegar a morder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!-- DIANA LICHTENSTEIN CORSO E MÁRIO CORSO--&gt;&lt;!-- Psicanalistas, membros da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, autores do livro Fadas no Divã--&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;!-- DIANA LICHTENSTEIN CORSO E MÁRIO CORSO--&gt;&lt;!-- Psicanalistas, membros da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, autores do livro Fadas no Divã--&gt;DIANA LICHTENSTEIN CORSO E MÁRIO CORSO | Psicanalistas, membros da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, autores do livro Fadas no Divã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;" class="menu-impressa"&gt;&lt;li id="li_6"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=9740#a101" id="href_6"&gt; Artigo publicado no jornal Zero Hora 25 de abril de 2008&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8491022729190396155?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8491022729190396155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/herodes-so-os-outros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8491022729190396155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8491022729190396155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/herodes-so-os-outros.html' title='Herodes são os outros...'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-6606009477232147056</id><published>2008-04-24T10:59:00.000-07:00</published><updated>2008-04-24T11:02:00.057-07:00</updated><title type='text'>O trauma do amor</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;Todo amor busca compensar um desastre amoroso passado; somos feridos antes da batalha&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;NESTES DIAS, reencontrei Gérard Pommier, um colega e amigo que não via há quase 15 anos. Ele está de passagem pelo Brasil, palestrando.&lt;br /&gt;Num fim de tarde, sentados na minha cozinha, colocamos a conversa em dia: filhos, trabalho e, claro, divórcios, separações e novos amores.&lt;br /&gt;No capítulo "divórcios e separações", prevaleceu o tema (tragicômico) das indenizações financeiras. Como era de se esperar numa conversa entre homens, constatamos a curiosa contradição entre a reivindicação feminina de autonomia e, por outro lado, o fato de que muitas mulheres, ao se separarem, exigem uma reparação monetária.&lt;br /&gt;Por estarmos ambos sóbrios, não discutimos o fundamento das pensões alimentícias para as crianças nem o da retribuição pelos anos em que uma mulher pode ter renunciado à sua vida profissional para se dedicar ao lar. Apenas estranhávamos o tipo de demanda raivosa que dá a impressão de pedir indenização pelo amor perdido.&lt;br /&gt;Nos homens como nas mulheres, os amores que acabam deixam a sensação de um dano quase físico, material ("retiraram uma parte de mim") -um dano, portanto, que poderia ser compensado. Deve ser por isso que tanto os homens quanto as mulheres, às vezes, "curam" as dores de uma separação com aquisições extravagantes. "Ela me deixou?&lt;br /&gt;Compro uma moto."&lt;br /&gt;Mas as mulheres, freqüentemente, preferem que a reparação do dano seja o ônus do ex-parceiro. Mesmo quando a iniciativa da separação foi da própria mulher (ou compartilhada por ela) e não houve "infidelidade" do lado do homem, as mulheres tendem a viver a separação como uma traição, como uma crueldade que lhes foi feita, uma sacanagem.&lt;br /&gt;Há como explicar essa diferença, mas isso, hoje, não vem ao caso. O fato é que a conversa com Pommier foi interrompida porque eu fui assistir ao filme de Wong Kar-wai, "Um Beijo Roubado", que acaba de estrear. Pommier, que já tinha visto o filme na França, prometeu que ele tinha a maior relação com nossa conversa daquela noite.&lt;br /&gt;De fato, o filme de Kar-wai é uma esplêndida elegia sobre o trauma amoroso. Os quatro personagens principais são todos inválidos da guerra das paixões. Ficam num canto lambendo suas feridas ou saem pelo mundo afora para esquecê-las ou cicatrizá-las, mas, de qualquer forma, para eles, um novo amor é a tentativa de compensar um desastre passado, que os deixou sem chaves para as portas da vida.&lt;br /&gt;Para um psicanalista, é um prato cheio: confirma-se, indiretamente, a idéia de que nos apaixonamos pelos outros porque não nos foi permitido ficar com a mãe e ou com o pai. Todo amor corrigiria uma grande decepção amorosa, forçada e originária, todo amor seria um paliativo contra as dores da renúncia a nossas paixões edipianas. Ou seja, atrás de nossa vida amorosa, sempre há um dano inicial. "Será que alguém paga um dia?", diriam as mulheres evocadas na conversa com Pommier.&lt;br /&gt;Tudo bem, mas o complexo de Édipo, que se tornou sabedoria psicológica comum, não deixa de ser um mistério. Por que seríamos saudosos de uma única relação que nos foi proibida para que todas as outras fossem permitidas? Por que seríamos para sempre queixosos de uma única perda que nos libertou e nos soltou pelo mundo?&lt;br /&gt;Mais misterioso: é raro que a lembrança de nossos primeiros afetos amorosos (com a mãe, especialmente) seja a de um idílio; em geral, ela vem junto com a queixa de termos sido, de uma maneira ou de outra, preteridos ou mesmo traídos. Talvez essa lembrança queixosa seja influenciada pelo que vem depois: a gente veria nossa primeira infância pelo prisma das dores da autonomia, do crescimento e da separação.&lt;br /&gt;Mas talvez haja algo mais, algo que nos torna feridos antes da batalha, queixosos de ter sofrido um dano antes de qualquer amor, inclusive antes daquela primeira relação, miticamente feliz, com a mãe. Talvez a sensação de que fomos traídos, e não nos foi dado o que queríamos e esperávamos anteceda o amor e suas frustrações. Talvez todos os amores, inclusive o edipiano, sejam apenas compensações frustrantes por um dano que, aliás, inevitavelmente, eles renovam. Mas de que dano estou falando?&lt;br /&gt;De qual sensação originária de que o mundo sempre nos priva porque nunca responde à altura de nossos pedidos?&lt;br /&gt;A resposta seria complicada e incerta, mas há um atalho. Pergunte para qualquer jovem mãe esbaforida: "Afinal, o que quer um bebê?".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;hr style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; height: 3px;font-size:78%;" noshade="noshade" &gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://mail-b.uol.com.br/cgi-bin/webmail?Act_V_Compo=1&amp;amp;mailto=ccalligari@uol.com.br&amp;amp;ID=ILHhioJR7mPNgUvPZqkQ4FrADhUdwNbpWNLR6MZ0cDvZ6sr&amp;amp;R_Folder=dGV4dG9zQ2FsbGlnYXJp&amp;amp;msgID=4&amp;amp;Body=0" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#000080;"&gt;CONTARDO CALLIGARIS    &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://mail-b.uol.com.br/cgi-bin/webmail?Act_V_Compo=1&amp;amp;mailto=ccalligari@uol.com.br&amp;amp;ID=ILHhioJR7mPNgUvPZqkQ4FrADhUdwNbpWNLR6MZ0cDvZ6sr&amp;amp;R_Folder=dGV4dG9zQ2FsbGlnYXJp&amp;amp;msgID=4&amp;amp;Body=0" target="_blank"&gt;ccalligari@uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;São Paulo, quinta-feira, 17 de abril de 2008&lt;/span&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilustrad.gif" hspace="10" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-6606009477232147056?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/6606009477232147056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-trauma-do-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6606009477232147056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/6606009477232147056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-trauma-do-amor.html' title='O trauma do amor'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5013363025619398369</id><published>2008-04-21T18:35:00.000-07:00</published><updated>2008-04-21T19:03:58.967-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infantil; psicanalise;fantasia;brincar'/><title type='text'>Quando um brinquedo dura mais que um Natal...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda a movimentação que assistimos no Natal em relação aos presentes nos remete a pensar sobre o lugar da fantasia na constituição psíquica de uma criança. O natal se torna uma promessa de participar de um mundo mágico, as crianças são grandes especialistas em mistérios, enigmas e em aventuras num mundo de faz – de - conta.&lt;br /&gt;A perspectiva de ganhar presentes leva a criança a sonhar o tão esperado momento da chegada do papai Noel. Mas a festa também acontece na imaginação dos adultos, são eles que tomam a iniciativa, seja prometendo recompensa por bom comportamento ou punição quando a criança não responde aos seus ideais. Portanto, não é somente as crianças que depositam expectativas na figura do papai Noel. Assim, o papai Noel é uma figura mítica que permanece como lembrança na infância de todos e que se atualiza a cada Natal.&lt;br /&gt;Com a psicanálise compreendemos que os conflitos e desejos de nossa infância não se perdem jamais. O que seria do adulto sem as suas crenças infantis?&lt;br /&gt;O presente tem a marca da realidade num mundo de fantasias construído para organizar de forma simbólica as vivencias de conflitos e desamparos. A fantasia tem a função de organizar o mundo em que a criança vive.&lt;br /&gt;Segundo Freud, a criança brinca para criar e descobrir, ou seja, brinca para poder elaborar perdas, para encenar o que ainda não compreende da sua vida, brinca para simbolizar.&lt;br /&gt;Então, a criança necessita da brincadeira para apoiar sua inscrição no desejo. O brinquedo assim, se transforma em outra coisa com o investimento imaginário e simbólico que a criança consegue fazer. Através do brincar pode elaborar a distância entre a possibilidade e a insuficiência no desejo de ser grande.&lt;br /&gt;Dessa forma os pais possibilitando um tempo para seu filho brincar assinalam um valor as suas produções. Então, um brinquedo cumpre a sua função quando ele é manipulado, encenado num teatro muito particular, “brincar para a criança e fantasiar para o adolescente são recursos de elaboração pelos quais o sujeito entra em contato com seus ideais e conflitos de uma forma leve e sem maiores compromissos (...) na brincadeira, está se vivendo a personagem de uma trama, é como participar de uma ficção da qual se é autor e ator, é uma fantasia vivida, mas com a possibilidade de sair da cena”¹.&lt;br /&gt;Os pais perguntam aos psicólogos como fazer certo, pois a cada filho precisam recomeçar. E tudo o que já sabiam parece se modificar a cada dia. Há uma grande idealização da infância no nosso meio, mas as crianças em alguma medida conseguem suportar um adulto ocupado, que faz o que pode para tentar manter a sua atenção na criança, mas nem sempre consegue, que sente culpa logo em seguida, que procura consertar o tempo todo ás decisões atrapalhadas que toma, acreditando estar fazendo o melhor para que a criança não tenha sofrimentos. Como vemos a criança tem uma compreensão do mundo muito particular e resolve a sua maneira os impasses da vida, pois é trabalhoso crescer.&lt;br /&gt;Freud nos diz que a palavra está sempre em jogo, e a criança pode nos responder através dos atos do seu brincar as perguntas que lhe fazemos. É preciso suportar um brincar descomprometido de regras, pois a criança não vive num mundo pacifico, sem conflitos, ela quer o prazer que o mistério proporciona. Por isso que o presente e as historias de Natal nunca perdem seu lugar. Os brinquedos podem ficar para trás, as brincadeiras se modificam, mas as vivencias não estarão perdidas, pois sempre retornam e dão sentido à nossa vida.&lt;br /&gt;¹ Fadas no Divã Psicanálise nas historias infantis, Artmed, 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* T. Guberovich &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Texto publicado na Revista Afinal - &lt;a title="Blog do Gerson : http://www.tresdemaionews.blogspot.com/" style="FONT-WEIGHT: normal; MARGIN: 0px; COLOR: rgb(143,81,123); TEXT-DECORATION: underline" href="http://www.tresdemaionews.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Blog do Gerson&lt;/a&gt;/ dezembro 2007&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5013363025619398369?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5013363025619398369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/quando-um-brinquedo-dura-mais-que-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5013363025619398369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5013363025619398369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/quando-um-brinquedo-dura-mais-que-um.html' title='Quando um brinquedo dura mais que um Natal...'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8265491130088410360</id><published>2008-04-21T18:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-21T18:21:22.818-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nadja; Breton'/><title type='text'>Nadja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este fragmento chamou minha atençao na leitura do livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem sou? Se excepcionalmente recorresse a um adágio, tudo nao se resumiria em saber "com quem ando"?Devo confessar que essa expressao me perturba um pouco, pois tende a estabelecer entre mim e certos seres relaçoes mais singulares, menos evitáveis, mais perturbadoras do que poderia imaginar. Diz muito mais do que quer dizer, me faz desempenhar em vida o papel de um fantasma, alude evidentemente ao que eu deveria deixar de ser para ser quem sou. Tomando-a de forma um tanto abusiva nesta acepçao, dá-me a entender que tudo o que considero manifestaçoes objetivas de minha existência, manifestaçoes mais ou menos deliberadas, nao passa, nos limites desta vida, de uma atividade cujo verdadeiro campo permanece inteiramente desconhecido para mim. É possivel que minha vida nao passe de uma imagem que esteja condenado a voltar sobre meus passos, pensando, ao contrário que avanço, tentando reconhecer o que de fato deveria reconhecer, aprender uma escassa parcela do que esqueci. Alem de toda a espécie de singularidade que reconheço em mim, de afinidades que sinto, de atraçoes que sofro, de acontecimentos que me ocorram e ocorram somente a mim, alem da quantidade de movimentos que me vejo fazer, de emoçoes que somente eu experimento, esforço-me, em relaçao aos outros homens, por saber que consiste, ou pelo menos a que se deve, essa minha diferenciaçao. Nao será à medida exata que eu tomar consciencia dessa diferenciaçao que poderei ficar sabendo o que, entre todos os demais, vim fazer neste mundo, e qual a mensagem ímpar de que sou portador, a ponto de só minha cabeça poder responder por meu destino?De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençois de vidro, onde quem sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado em diamante"    André Breton&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8265491130088410360?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8265491130088410360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/nadja.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8265491130088410360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8265491130088410360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/nadja.html' title='Nadja'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-7245916884611055484</id><published>2008-04-21T17:50:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T18:56:33.878-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Garcia Marques; memórias'/><title type='text'>Memórias de minhas putas tristes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza। Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só ´sou pontual para que niguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco".O velho jornalista de "Memória de minhas putas tristes".&lt;br /&gt;Gabriel Garcia Marques&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-7245916884611055484?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/7245916884611055484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/memrias-de-minhas-putas-tristes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7245916884611055484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/7245916884611055484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/memrias-de-minhas-putas-tristes.html' title='Memórias de minhas putas tristes'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5958946508914254381</id><published>2008-04-21T17:47:00.000-07:00</published><updated>2008-04-21T17:49:53.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='casamento;psicanalise; Calligaris'/><title type='text'>O segredo da vida de um casal!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.&lt;br /&gt;EM GERAL , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta). No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um "viveram felizes para sempre", que seria a "óbvia" conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família? Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal. O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la "Dormindo com o Inimigo". Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista "New Yorker" e em alguns livros (por exemplo, "Travels with Alice", viajando com Alice, de 1989, e "Alice, Let's Eat", Alice, vamos para a mesa, de 1978). Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida. À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001. Trillin escreveu "Sobre Alice", que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência. Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de "Sobre Alice": "Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia". A graça está no fato de que a "propensão" de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico. Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice. Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.&lt;br /&gt; CONTARDO CALLIGARIS&lt;br /&gt;ccalligari@uol.com.br&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5958946508914254381?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5958946508914254381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-segredo-da-vida-de-um-casal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5958946508914254381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5958946508914254381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/o-segredo-da-vida-de-um-casal.html' title='O segredo da vida de um casal!'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-8321776343408965106</id><published>2008-04-21T17:42:00.000-07:00</published><updated>2008-04-21T17:43:58.135-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acídia;depressão;tristeza'/><title type='text'>Acídia, Depressão &amp; Cia. Alma e corpo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao caracterizar a acídia como uma tristeza (e, para Gregório, a própria tristeza era o pecado capital), abrem-se inúmeras dimensões antropológicas, com interfaces nem sempre claras e a questão adquire uma imensa complexidade: a tristeza pode (ou não) ser pecado, doença, estado de ânimo, atitude existencial..., ou combinações desses fatores.&lt;br /&gt;Só com enunciar essas dimensões, já se mostra imediatamente a extrema atualidade de nosso tema. Por exemplo, Andrew Solomon, autor de um dos mais importantes livros sobre a "doença de nosso tempo", a depressão, incluiu a velha acídia no próprio título de sua obra: "O demônio do meio-dia - uma anatomia da depressão"&lt;a id="_ftnref20" style="COLOR: rgb(143,81,123)" href="http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn20" name="_ftnref20"&gt;[20]&lt;/a&gt; . O "demônio do meio-dia" é o da acídia&lt;a id="_ftnref21" style="COLOR: rgb(143,81,123)" href="http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn21" name="_ftnref21"&gt;[21]&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;Infelizmente, nesse livro - tão oportuno e acertado na análise da depressão - o autor incorre em uma imprecisão ao examinar a obra de Tomás de Aquino, dando a impressão de que Tomás endossa teses que, na verdade, são o avesso das afirmadas realmente pelo Aquinate. E, por se tratar do núcleo da antropologia de Tomás, vale a pena que examinemos o problema. Erroneamente diz Solomon:&lt;br /&gt;Tomás de Aquino, cuja teoria de corpo e alma colocava a alma hierarquicamente acima do corpo, concluía que a alma não poderia ser sujeita às doenças corporais. Contudo, uma vez que a alma estava abaixo do divino, era sujeita à intervenção de Deus ou de Satã. Dentro desse contexto uma doença tinha que ser do corpo ouda alma, e a melancolia estava assinalada para a alma&lt;a id="_ftnref22" style="COLOR: rgb(143,81,123)" href="http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn22" name="_ftnref22"&gt;[22]&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;Certamente, a descrição que Tomás faz da acídia, das manifestações do vício capital da acídia, aproxima-se muito da descrição que podemos fazer hoje da doença da depressão. Mas isto não significa que Tomás não possa atribuir a tristeza depressiva a causas naturais, alheias ao âmbito moral: quando o Aquinate fala da acídia, de suas "filhas" e manifestações, está focando a dimensão que mais lhe interessa como teólogo: a da tristeza moralmente culpável&lt;a id="_ftnref23" style="COLOR: rgb(143,81,123)" href="http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn23" name="_ftnref23"&gt;[23]&lt;/a&gt; . Nessa mesma linha, seria interessante, para nós hoje, considerarmos também - para além da realidade da depressão como doença (hoje em dia, mais do que evidente para nós) -, que pode haver uma acídia, uma dimensão moral em alguns casos de tristezas depressivas.&lt;br /&gt;De resto, nada mais alheio ao pensamento de Tomás do que uma incomunicação entre espírito e matéria. O que Tomás, sim, afirma é o homem total, com a intrínseca união espírito-matéria, pois a alma, para o Aquinate é forma, ordenada para a intrínseca união com a matéria.&lt;br /&gt;Nesse sentido, comparemos as afirmações de Solomon com o que realmente diz Santo Tomás, precisamente em relação ao nosso tema, a tristeza, os remédios para a tristeza, que reside na alma. Tomás enfrenta esta questão na Suma Teológica I-II 38 e no artigo 5 chega a recomendar banho e sono como remédios contra a tristeza! Pois, diz o Aquinate, tudo aquilo que reconduz a natureza corporal a seu devido estado, tudo aquilo que causa prazer é remédio contra a tristeza. Tomás destrói assim a objeção "espiritualista":&lt;br /&gt;Objeção 1.: Parece que sono e banho não mitigam a tristeza. Pois a tristeza reside na alma; enquanto banho e sono dizem respeito ao corpo, portanto, não teriam poder de mitigar a tristeza.&lt;br /&gt;Resposta à objeção1: Sentir a devida disposição do corpo causa prazer e, portanto, mitiga a tristeza&lt;a id="_ftnref24" style="COLOR: rgb(143,81,123)" href="http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn24" name="_ftnref24"&gt;[24]&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;De resto, para os remédios contra a tristeza, Tomás não fala de Deus nem de Satã, mas sim recomenda: qualquer tipo de prazer, as lágrimas, a solidariedade dos amigos, a contemplação da verdade, banho e sono. E ainda sobre a interação alma-corpo, Tomás afirma em I-II, 37, 4:&lt;br /&gt;A tristeza é, entre todas as paixões da alma, a que mais causa dano ao corpo [...] E como a alma move naturalmente o corpo, uma mudança espiritual na alma é naturalmente causa de mudanças no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean LauandProf. Titular FEUSP&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-8321776343408965106?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/8321776343408965106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/acdia-depresso-cia-alma-e-corpo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8321776343408965106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/8321776343408965106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/acdia-depresso-cia-alma-e-corpo.html' title='Acídia, Depressão &amp; Cia. Alma e corpo.'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-5772241331674123344</id><published>2008-04-19T10:06:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T10:29:48.685-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gorz; amor;'/><title type='text'>Carta a D.  história de um amor</title><content type='html'>&lt;ul class="notas"&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Era isso: você havia me dado a possiblidade de escapar de mim mesmo e de me instalar num outro lugar, do qual você me trouxera a notícia. Com você, eu podia deixar de férias a minha realidade. Você era o complemento da irrealização do real, estando eu mesmo nele compreendido desde sete ou oito anos antes, através da atividade de escrever. Você era quem punha entre parênteses esse mundo ameaçador, no qual eu era um refugiado de existência ilegítima, cujo futuro nunca ultrapassava três meses. Eu não tinha a menor vontade de voltar à terra. Encontrava refúgio numa experiência maravilhosa e nao aceitava que ela fosse alcançada pela realidade. Eu recusava, no fundo de mim mesmo, aquilo que, na idéia e na realidade do casamento, implica esse retorno ao real. Até onde consigo lembrar, eu sempre procurei nao existir. Você deve ter trabalhado anos a fio até me fazer assumir minha existência. E esse trabalho, estou certo disso, nunca se completou". (Carta a D. p. 20)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                    &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;UM GRANDE AMOR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul class="notas"&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span&gt;Eu já tinha pensado em escrever sobre o grande amor entre o judeu austríaco André Gorz e a inglesa Dorine Kair quando li a bela coluna de sábado escrita por Cláudia Laitano. Confesso que quase desisti. Depois, pensando melhor, achei que poderia dizer um pouco mais sobre este casamento que durou quase 60 anos sem nunca esmorecer literalmente até a morte de ambos, em setembro de 2007. Dorine sofria de uma doença degenerativa, e o casal, militantes de esquerda, fez um pacto de morte. O suicídio entre amantes não é uma novidade na história. O novo nesta bela relação entre Gorz e Dorine é a carta que ele deixou para ela e que constituiu a sua última obra, Carta a D., lançada pela Cosac Naif. Procurei nas livrarias e não encontrei. Peguei emprestado e devorei em poucas horas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;O racional escritor marxista e existencialista, amigo e colaborador de Jean-Paul Sartre, diretor da revista Tempos Modernos, revela-se um homem terno e capaz de mostrar abertamente os seus sentimentos, o seu romantismo em relação à mulher de toda a sua vida. É um depoimento extremamente importante nestes tempos de banalidade em que tudo é transitório, fugaz, imediato. Gorz abre uma relação permanente, duradoura, permeada de ternura, tanta ternura, que não foi abalada nem pela velhice, nem pela consciente perspectiva da morte, escolhida lucidamente por ambos. Trata-se de uma pequena grande obra que é capaz de calar fundo no íntimo de todas as pessoas que a lerem. E no meio do texto, belíssimo, o velho existencialista volta a se revelar: "Eu queria acreditar que nós tínhamos tudo em comum, mas você estava sozinha em sua aflição". Mas esta solidão de Dorine em sua dor, não era irreversível. A morte era capaz de transcendê-la, principalmente se fosse compartilhada por Gorz, uma morte escolhida e assumida por ambos. E o célebre autor de Estratégia Operária e Neocapitalismo e Socialismo Difícil, o militante de esquerda, o desbravador das lutas ecológicas não vacilou. A vida sem Dorine não tinha qualquer sentido para ele e para ela a própria vida era uma degeneração cotidiana e um sofrimento permanente. A morte, então, surge como uma saída. Não uma fuga da vida, mas como uma ação consciente que renova, no derradeiro instante, o amor de toda uma existência. O último ato de André Gorz e Dorine Keir acaba sendo um notável exemplo de vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;h4 class="tipo-h" style="text-align: justify;"&gt;Texto de Luiz Pilla Vares publicado no jornal Zero Hora (&lt;span class="data"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="alerta"&gt;&lt;/span&gt; &lt;a class="voltar-edicao" title="Voltar para a edição de hoje" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=9541"&gt; Voltar para a ediçao&lt;/a&gt; ) em 10 de abril de 2008&lt;br /&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h2 class="article-title-h2" id="a0"&gt;    &lt;span class="article-title-main"&gt;&lt;span class="article-title-rubrique"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="article-title-date"&gt; &lt;/span&gt;  &lt;/h2&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-5772241331674123344?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/5772241331674123344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/um-grande-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5772241331674123344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/5772241331674123344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/um-grande-amor.html' title='Carta a D.  história de um amor'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1682972884036694915.post-3323676582018693342</id><published>2008-04-19T07:41:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T10:43:44.660-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tímidos;Verissimo;olhares'/><title type='text'>AOS TÍMIDOS...</title><content type='html'>&lt;div class="text"&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Me identifiquei com esse texto do Luis FernandoVerissimo, então aqui está para compartilhar com os leitores do meu blog.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como um tímido veterano, posso dar alguns conselhos aos que estão recém descobrindo o martírio de enfrentar este terror, os outros, e a obrigação de se fazer ouvir, ter amigos, namorar, procriar e, enfim, viver, quando o que preferia era ficar quieto em casa. Ou, de preferência, no útero. Para começar, algumas coisas que não funcionam. Tentei todas e não deram certo. Decorar frase, por exemplo. Já fui com uma frase pronta para impressionar a menina e na hora saiu "Teus marilus verdes são como dois olhos, lagoa". Também resista à tentação de assumir um ar superior e dar a impressão de que você não é tímido, é misterioso. Eu sou do tempo em que a gente usava chaveiro com correntinha (além de tope e topete, tope de gravata enorme e topete duro de Gumex) e ficava girando a correntinha no dedo enquanto examinava as garotas na saída das matinés (eu sou do tempo das saídas de matinés). Um dia deu certo, a garota veio falar comigo, ou ver de perto o que mantinha o topete em pé, foi atingida pela hélice da correntinha e saiu furiosa. Melhor, porque eu não tinha nenhuma fala pronta, o que dirá misteriosa, que correspondesse à pose. Evite manobras calhordas, como identificar alguém tão tímido quanto você no grupo, e quando, por sacanagem, lhe pedirem um discurso, passar a palavra para ele. O mínimo que um tímido espera de outro é solidariedade. E não há momento mais temido na vida de um tímido do que quando lhe passam a palavra. Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. Porque no fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se, o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de não estar ali, estar quieto em casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="data-edicao hoje"&gt;&lt;span class="data"&gt; Texto publicado no jornal ZeroHora- 27 de março de 2008&lt;/span&gt; &lt;a class="voltar-edicao" title="Voltar para a edição de hoje" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;edition=9541"&gt; Voltar para a ediçao do dia&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1682972884036694915-3323676582018693342?l=entrelacer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelacer.blogspot.com/feeds/3323676582018693342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/aos-tmidos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3323676582018693342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1682972884036694915/posts/default/3323676582018693342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelacer.blogspot.com/2008/04/aos-tmidos.html' title='AOS TÍMIDOS...'/><author><name>CLINICA HERMANN</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09309804208936100435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='11' src='http://4.bp.blogspot.com/_u2iALVypK7w/S278izYUF3I/AAAAAAAAAN0/c6vaJXy7XmY/S220/CLINICA+HERMANN.doc.-3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
